Rússia concede mais de 1.100 vistos "antiwoke" a estrangeiros

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Mais de 1.100 estrangeiros receberam vistos russos por adesão a "valores tradicionais"; alemães e americanos lideram a lista
Mais de 1.100 estrangeiros receberam o chamado visto russo "antiwoke" em 2025, concedido a pessoas que demonstram adesão aos "valores tradicionais" do país. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (17/6) pela agência estatal de notícias Ria Novosti.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, critica há anos tudo aquilo que, segundo ele, contradiz os "valores familiares tradicionais" — dos direitos LGBTQIAPN+ a banheiros mistos —, apresentando essas questões como sinais da decadência moral do Ocidente.
Em 2024, Putin assinou um decreto que oferecia "apoio humanitário" e vistos a estrangeiros oriundos de países que, segundo o texto, "impõem políticas ideológicas neoliberais destrutivas, contrárias aos valores espirituais e morais tradicionais russos".
Os cidadãos dos países listados no decreto — majoritariamente europeus, mas também dos Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia — podem solicitar residência na Rússia com base no programa.
No ano passado, 1.112 pessoas receberam vistos de entrada por meio da iniciativa, conforme declarou Alexei Klimov, diretor do Departamento Consular do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Alemães e franceses lideraram a lista, com 168 e 140 vistos concedidos, respectivamente. Os americanos ficaram em terceiro lugar, com 105 vistos, segundo Klimov, que não informou quantos dos beneficiários permanecem morando no país atualmente.
A medida foi batizada pela imprensa ocidental como o visto "antiwoke" da Rússia. O termo inglês "woke" é frequentemente utilizado por certos setores como rótulo pejorativo para criticar políticas progressistas.
No início deste mês, Putin voltou a elogiar publicamente o programa ao entregar condecorações do Estado pela defesa de tais valores. "Em vários países, infelizmente, tentam abolir os valores familiares tradicionais", declarou na ocasião. "E apoiaremos aqueles que, submetidos a esta pressão, decidirem viver, trabalhar e criar seus filhos na Rússia. Sejam bem-vindos", acrescentou.
Desde o início da ofensiva na Ucrânia em 2022, Moscou intensificou sua campanha contra o que descreve como "ideologias nocivas" promovidas pelo Ocidente. Naquele mesmo ano, a Rússia proibiu completamente o que denomina "propaganda LGBT" entre adultos e, em 2023, vetou mudanças de gênero legais ou médicas — medida amplamente criticada por organizações de defesa dos direitos humanos.
O programa de vistos "antiwoke" se insere, portanto, em uma estratégia mais ampla de Putin para posicionar a Rússia como um refúgio para aqueles que rejeitam o que o Kremlin classifica como imposição ideológica ocidental.