EUA e Irã podem assinar acordo de paz nas próximas 24 horas, diz Paquistão

EUA-Irã (Foto: Prensa Latina )
Mediador diz que finalização do acordo de paz pode ocorrer em 24 horas, mas Irã descarta assinatura imediata
O Paquistão, que atua como mediador nas negociações entre Estados Unidos e Irã, anunciou neste sábado (13) que as duas potências estão muito próximas de alcançar um acordo de paz para encerrar o conflito no Oriente Médio, possivelmente em "24 horas".
O conflito teve início em 28 de fevereiro, com a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica. Após semanas de negociações estagnadas, Washington e Teerã sinalizaram nos últimos dias que um entendimento estava próximo.
"Estamos mais perto do que nunca de um acordo de paz. Com a finalização provavelmente nas próximas 24 horas, o Paquistão se prepara para a assinatura eletrônica (...) imediatamente depois, seguida de discussões técnicas na próxima semana", afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, na rede social X.
O Irã, no entanto, descartou a assinatura de um memorando de entendimento com os Estados Unidos no domingo.
"Temos que esperar para saber a data exata da assinatura. Não será amanhã, domingo", declarou à agência estatal Irna o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que citou os "próximos dias" como possibilidade.
As versões do possível acordo divulgadas pela imprensa iraniana e por Washington divergem. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, lembrou que "enquanto não for concluído um acordo completo (...) não se poderá afirmar com certeza que foi alcançada uma área de entendimento".
Na sexta-feira, porém, Araghchi havia declarado que "assim que forem concluídas as últimas fases de nossas negociações, o acordo será assinado e anunciado", acrescentando que "isso pode acontecer nos próximos dias".
Segundo o ministro iraniano, o acordo prevê a suspensão do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova forma de administrar o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de combustíveis, controlada por Teerã desde o início da guerra.
À margem das negociações, o Comando dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) anunciou durante a madrugada que derrubou "vários drones" lançados pelo Irã contra "navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz".
Em Washington, um funcionário de alto escalão do governo do presidente Donald Trump, que pediu anonimato, avaliou em "80-85%" a probabilidade de alcançar um acordo que dê início a um período de 60 dias de negociações técnicas, mas destacou que ainda não se atravessou a linha de chegada.
A Suíça se ofereceu como sede para uma possível cerimônia de assinatura, mas Teerã afirmou que o ato ocorreria "à distância".
As versões do conteúdo do acordo também diferem entre as partes. A agência de notícias iraniana Mehr publicou o que apresentou como um rascunho de protocolo de 14 pontos, no qual eram atendidas exigências iranianas como o direito ao enriquecimento de urânio e a liberação de 24 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior.
Washington, por sua vez, apresentou outra versão: segundo a fonte do governo americano, o acordo deve levar à reabertura de Ormuz, ao "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e permitir aos Estados Unidos recuperar o urânio altamente enriquecido de Teerã, que seria "destruído" e depois "retirado" do país.
Araghchi defendeu a diluição, no Irã, das reservas de urânio enriquecido a 60%. Diluir o material a um nível inferior a 5%, bem distante dos 90% necessários para fabricar uma bomba atômica, afastaria a ameaça de um programa nuclear com fins militares.
Estados Unidos e Israel acusam o Irã de querer desenvolver armas atômicas, o que Teerã nega.
Sobre os ativos financeiros, "os iranianos não receberão dinheiro e os fundos não serão liberados simplesmente com a assinatura de um acordo", insistiu no X o vice-presidente americano JD Vance.
Este ponto é fundamental para o Irã, cuja economia está asfixiada por décadas de sanções.
No jornal conservador iraniano Kayhan, a posição é de que o país deve manter o controle do Estreito de Ormuz, descrito como "a maior fragilidade do inimigo".
Já entre os iranianos da diáspora, o sentimento é de desconfiança. Entrevistado de Paris, Ali, de 49 anos, está desiludido.
"Ninguém se importa com os iranianos", disse. Ele teme que, em caso de acordo, o governo "oprima a população mil vezes mais duramente".
O Líbano também entrou na pauta das negociações. A fonte do governo americano indicou que o país foi incluído no acordo, como exigia Teerã. Até o momento, Washington havia tentado manter o tema à margem das tratativas.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o grupo pró-iraniano Hezbollah atacou território israelense em apoio ao Irã. Desde então, Israel bombardeia o país, alegando que pretende "eliminar" o movimento xiita, que por sua vez ataca posições e o território israelense.
Neste sábado, Israel voltou a atacar o sul do Líbano, depois de pedir à população que abandonasse quase 20 localidades, incluindo Nabatiyeh, informou a agência de notícias libanesa ANI.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump está sob pressão para encerrar uma guerra impopular, diante da proximidade das eleições de meio de mandato de novembro e em plena Copa do Mundo de futebol co-organizada por seu país.
Na sexta-feira, ele criticou o Irã em sua rede Truth Social e acusou o país de ter vazado informações sobre o acordo que "não têm NADA a ver com os termos (...) acordados por escrito".
Até o cessar-fogo de 8 de abril, a guerra incendiou o Oriente Médio, com milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de abalar a economia mundial.