Tensões no Oriente Médio elevam preços do petróleo e abalam mercados globais

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Ataques de Israel ao Hezbollah e ação iraniana com mísseis intensificam tensões no Oriente Médio e pressionam os preços do petróleo
Os preços do petróleo iniciaram a semana em forte alta após uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento foi impulsionado por ataques de Israel contra posições do Hezbollah nos arredores de Beirute, no Líbano, e por ações militares atribuídas ao Irã contra Israel e países aliados dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico.
A reação dos investidores elevou as cotações internacionais da commodity. Por volta das 19h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência global para o mercado, avançava 3,48%, cotado a US$ 96,33. Minutos depois, às 19h10, o preço seguia em alta de 2,96%, negociado a US$ 95,80.
O Exército israelense realizou um ataque neste domingo em uma região de subúrbios ao sul da capital libanesa, área conhecida como Dahiyeh, na primeira investida contra um reduto do grupo extremista em Beirute desde o cessar-fogo intermediado em 16 de abril. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra o território israelense, algo inédito desde o cessar-fogo.
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou novos ataques caso Israel não interrompa as operações militares no Líbano. Em declaração conjunta com seu ministro da Defesa, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu afirmou que o ataque a Dahiyeh foi ordenado em resposta a disparos do Hezbollah em direção ao território israelense.
O Exército de Israel também emitiu um alerta de evacuação para os moradores da cidade libanesa de Tiro, no sul do país, e suas áreas circundantes, antes de possíveis novos ataques.
No sábado (6), o Irã afirmou que ataques americanos a instalações de radar e de vigilância costeira no Golfo constituem uma "violação flagrante do cessar-fogo", em vigor desde 8 de abril, e lançou mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados de Washington na região.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou os ataques noturnos dos Estados Unidos como "uma agressão militar contra a soberania nacional e a integridade territorial da república islâmica do Irã" e condenou "o comportamento hostil e provocador do regime americano".
No mesmo domingo, a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) anunciou um novo aumento em suas metas de produção de petróleo pelo mesmo número de meses, embora o conflito entre os EUA e o Irã ainda impeça vários membros do grupo de bombear mais. É a quarta vez que a entidade decide elevar a extração.
A guerra cortou os fluxos de petróleo através do estreito de Hormuz, criando a maior crise de abastecimento global da história, já que membros importantes da Opep+, incluindo a Arábia Saudita, não conseguem abastecer integralmente seus clientes desde o final de fevereiro. A crise para a Opep+ se agravou ainda mais quando os Emirados Árabes Unidos deixaram a organização após quase 60 anos de participação.
O cenário de instabilidade no Oriente Médio segue pressionando os mercados globais de energia, sem perspectiva imediata de resolução.