Operação Rejeito tem novos presos por espionagem em MG

Segunda fase da Operação Rejeito é deflagrada após grupo espionar juiz federal e tentar influenciar investigações em Minas Gerais
A Polícia Federal (PF), com apoio do Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta quinta-feira (18/6) a segunda fase da Operação Rejeito em Belo Horizonte. O alvo é um grupo criminoso formado por empresários e servidores de órgãos ambientais, suspeito de manter um esquema de mineração ilegal em áreas protegidas de Minas Gerais, como a serra do Curral, em Belo Horizonte, e a serra de Botafogo, em Ouro Preto. A nova fase foi desencadeada após as investigações revelarem que os suspeitos espionaram e tentaram se aproximar de um juiz federal.
De acordo com a PF, a organização criminosa teria contratado uma empresa para praticar atos de espionagem contra pessoas de interesse do grupo, incluindo autoridades públicas e particulares. Foram identificadas atividades sistemáticas de monitoramento de indivíduos por meio de vigilância presencial, uso de dispositivos de rastreamento e registros fotográficos, além da obtenção indevida de dados pessoais e sensíveis. Os suspeitos teriam conseguido acesso ilícito a dados de um juiz federal responsável por um processo envolvendo uma das empresas ligadas ao grupo investigado.
Com essas informações em mãos, a organização teria tentado se aproximar de um familiar do magistrado que atua na advocacia, em uma aparente estratégia de influência indevida. As investigações também apontam tentativas de aproximação com outras autoridades públicas para fins ilícitos. Segundo a PF, o grupo investigado teria ainda tentado contratar a realização de operações policiais simuladas, conhecidas como blitz. Além disso, foram identificadas ofertas estruturadas, inclusive com precificação definida, para a obtenção indevida de dados protegidos pelos sigilos bancário e telefônico.
As apurações também indicam indícios de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos de segurança pública. Nesta quinta-feira, as autoridades cumprem seis mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, além da suspensão das atividades das pessoas jurídicas envolvidas, por determinação da Justiça Federal em Minas Gerais. Os investigados poderão responder, entre outros crimes, por embaraço à investigação de organização criminosa e violação de sigilos bancário e telefônico, com penas somadas que podem ultrapassar 16 anos de reclusão.
A primeira fase da operação, deflagrada em 17 de setembro de 2025, revelou um complexo esquema criminoso especializado em mineração ilegal. Para manter a extração em locais tombados, como a serra do Curral, em Belo Horizonte, e a serra de Botafogo, em Ouro Preto, o grupo de empresários se valia de um esquema sistêmico de corrupção que envolvia integrantes do alto escalão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do governo de Minas Gerais, e da Agência Nacional de Mineração (ANM), do governo federal.
Durante a ação, foram cumpridos 20 mandados de prisão. Ao todo, 15 suspeitos foram presos, enquanto dois permanecem foragidos. Entre os detidos estavam os apontados como líderes da organização criminosa: Alan Cavalcante, proprietário da Fleurs Global Mineração; João Alberto Lages, ex-deputado estadual de Minas Gerais; e Helder Adriano, apontado pela PF como diretor operacional do esquema criminoso. A segunda fase da Operação Rejeito reforça o alcance das investigações, que agora miram não apenas o esquema de mineração ilegal, mas também as tentativas do grupo de interferir no curso da Justiça por meio de espionagem e aproximação indevida com autoridades.