
Foto: ONU/Reprodução
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) cancelou a nomeação do principal representante dos Estados Unidos para o cargo de vice-diretor-geral da agência da ONU. A decisão foi motivada pelos atrasos nos pagamentos do país à organização, conforme comunicado divulgado nesta segunda-feira (1º). Segundo a OIT, "Sheng Li (Estados Unidos da América) não assumirá o cargo de vice-diretor-geral em julho, como estava previsto anteriormente".
O Departamento do Trabalho dos EUA não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters. Sheng Li havia sido nomeado para a função em abril, após meses de atrasos no processo de escolha. Desde então, a OIT comunicou ao governo americano que a nomeação não seria efetivada enquanto o país não regularizasse os pagamentos pendentes. A organização, no entanto, deixou claro que a decisão não é definitiva.
"Essa decisão não prejudica a possibilidade de os Estados Unidos liquidarem seus atrasos e, assim, retomarem sua posição como maior contribuinte das contribuições obrigatórias", afirmou a OIT, acrescentando que mantém negociações com Washington. Três diplomatas ouvidos pela Reuters informaram que o governo americano foi solicitado a pagar pelo menos US$ 50 milhões dos valores devidos.
A situação eleva as incertezas sobre a condição financeira da agência e sobre possíveis cortes de empregos. Tradicionalmente, os Estados Unidos ocupam o posto de vice-diretor-geral por serem o maior financiador da OIT, responsáveis por 22% do orçamento da organização. De acordo com dados publicados pela agência, sediada em Genebra, os EUA acumulavam, até 29 de maio, uma dívida de 257 milhões de francos suíços — cerca de US$ 328 milhões —, referente à contribuição de 2026 e a débitos pendentes de 2024 e 2025. A suspensão da nomeação de Sheng Li reflete o impasse entre Washington e a OIT, e a resolução da situação depende diretamente da regularização dos pagamentos por parte dos Estados Unidos.