Operação conjunta EUA-Venezuela mata líder do Tren de Aragua

Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos - Foto: Reprodução/X
Operação conjunta entre EUA e Venezuela elimina Niño Guerrero, chefe do Tren de Aragua, classificado por Trump como organização terrorista
O chefe da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, conhecido como Niño Guerrero, foi morto em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em coordenação com as autoridades da Venezuela. Washington e Caracas confirmaram a ação na noite desta sexta-feira (12/06), marcando o fim do líder de uma das gangues mais temidas da América Latina.
O presidente dos EUA, Donald Trump, foi o primeiro a anunciar a morte em sua rede Truth Social: "Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos desferiu um ataque cinético rápido e letal para eliminar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta Terra". Trump acrescentou que a operação foi realizada em "estreita cooperação com nossos amigos na Venezuela, com os quais estamos trabalhando muito bem".
A Venezuela confirmou pouco depois que Héctor Rusthenford Guerrero Flores, nome verdadeiro de Niño Guerrero, havia sido "neutralizado" e que houve "confrontos" com integrantes de "estruturas de crime organizado". Segundo um comunicado do Ministério da Comunicação venezuelano, a ação foi uma "operação combinada" com os Estados Unidos, realizada no estado de Bolívar, no sudeste do país. "A operação contou com apoio tecnológico especializado e foi desenvolvida por meio de mecanismos de cooperação e intercâmbio de informações de inteligência", acrescentou o ministério.
Trump também declarou que "os terroristas do Tren de Aragua já não têm um santuário na Venezuela nem em qualquer outro lugar". A mensagem foi acompanhada de um vídeo de 10 segundos mostrando uma visão aérea de uma casa cercada por vegetação antes de uma explosão levantar uma nuvem de fumaça. Nenhuma pessoa pode ser distinguida claramente nas imagens.
Na segunda-feira anterior à operação, o Exército venezuelano havia se deslocado para uma área de exploração de ouro no estado de Bolívar, sob controle de dois chefes criminosos, Juancho e Johan Petrica — este último, um dos fundadores do Tren de Aragua. Segundo cerca de dez testemunhos recolhidos pela agência AFP na região, o Exército lançou três bombas a partir de helicópteros, que voavam a baixa altitude na quinta-feira.
A ascensão do Tren de Aragua
O Tren de Aragua surgiu na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, em 2014. O grupo atua em extorsão, assassinatos por encomenda, narcotráfico, prostituição, tráfico de pessoas e mineração ilegal, além de ter investido em alguns negócios legais. Os Estados Unidos classificaram a organização como "organização terrorista" em janeiro de 2025, logo após o retorno de Trump à presidência.
O procurador federal Jay Clayton descreveu Niño Guerrero como o principal arquiteto da expansão da gangue: "Guerrero Flores foi o cérebro por trás da evolução do Tren de Aragua, que deixou de ser uma gangue prisional venezuelana para se tornar uma organização terrorista transnacional". Em dezembro, promotores federais de Nova York apresentaram acusações contra 70 membros do grupo, incluindo Niño Guerrero, por associação criminosa, tráfico de drogas e armas de fogo.
Segundo o centro de análise Insight Crime, Niño Guerrero, que teria cerca de 42 anos, transformou o grupo "no que ele é hoje durante seu período de encarceramento em Tocorón". Sob sua liderança, a penitenciária "tornou-se uma das prisões mais notórias do país, em grande parte devido à política não oficial do governo venezuelano de entregar o controle de algumas prisões (...) a chefes criminosos conhecidos como pranes". "Essa liberdade e os rendimentos ilícitos da quadrilha permitiram a construção de um zoológico, uma piscina, um parque infantil, um restaurante e uma boate dentro da prisão", segundo um relatório da Insight Crime de 2025.
O Departamento de Estado dos EUA oferecia uma recompensa de 5 milhões de dólares por informações que levassem à captura ou condenação de Niño Guerrero. Washington também havia imposto sanções econômicas contra ele em julho de 2025, juntamente com outros líderes da organização.
Em setembro de 2023, após ocupar militarmente a penitenciária de Tocorón, o governo de Maduro anunciou ter "desmantelado completamente" a organização — mas, na época, Niño Guerrero já estava foragido da Justiça.
A operação ocorre em um contexto de aproximação entre Washington e Caracas. Em janeiro, os Estados Unidos realizaram uma incursão militar em Caracas e capturaram o presidente Nicolás Maduro, atualmente detido em Nova York sob acusação de narcotráfico. Desde então, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa como presidente interina, sob pressão de Washington.