Michelle Bolsonaro gera suspensão de apoio a Ciro Gomes no Ceará

Foto: YouTube/Silas Malafaia
Críticas de Michelle Bolsonaro a Ciro Gomes geraram conflito com enteados e levaram o PL a suspender apoio ao tucano no Ceará
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a criticar Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará, em publicação feita na segunda-feira (22/6) em seu perfil no Instagram. Ela compartilhou trechos de uma entrevista de Ciro à revista Veja, na qual ele afirma que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) são "iguais", além de um vídeo do pré-candidato a deputado federal Clayton Prudêncio (PL-DF) com a legenda: "Michelle Bolsonaro tinha razão".
A frase faz referência às críticas anteriores que a presidente do PL Mulher havia feito sobre Ciro e sobre um eventual apoio do PL à candidatura do tucano no Ceará. Na mesma publicação, Michelle ironizou a justificativa usada para o apoio ao ex-ministro e antecipou que publicará em breve uma explicação sobre a disputa. A crise teve origem quando o PL decidiu declarar apoio a Ciro na disputa pelo Executivo cearense.
No evento de filiação do ex-ministro ao PSDB, esteve presente o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do PL no Ceará e responsável por articular o apoio da sigla ao novo tucano. Publicamente, Fernandes havia declarado que o apoio a Ciro foi autorizado por Jair Bolsonaro e que o objetivo seria "derrotar" o PT no Ceará. Michelle rebateu essa narrativa ao destacar que o objetivo "nunca foi tirar o PT".
No lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) a governador do estado, a ex-primeira-dama foi direta ao criticar Fernandes: "Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá!". A fala faz referência às diversas críticas que Ciro dirigiu a Bolsonaro durante sua gestão, de 2018 a 2022, quando cobrou o então presidente pela condução da pandemia de covid-19 e chegou a chamá-lo de "ladrão de galinha" e "genocida".
Embora Michelle tenha se posicionado em suposta defesa de Jair Bolsonaro, suas críticas não agradaram aos filhos do ex-presidente. O primeiro a reagir foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai como seu sucessor na disputa pelo Palácio do Planalto. Em entrevista ao site Metrópoles, Flávio acusou Michelle de ter atropelado o ex-presidente e classificou a forma como ela se dirigiu a Fernandes como "autoritária" e "constrangedora". O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) classificou o episódio como "injusto", enquanto o ex-vereador Carlos Bolsonaro reiterou o apoio à liderança do pai e falou em não se deixar levar por "outras forças".
Após os atritos, Michelle Bolsonaro divulgou uma nota pedindo perdão aos enteados. Como desdobramento da crise, o PL organizou uma reunião entre Michelle Bolsonaro, Fernandes, Flávio e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. O encontro resultou na suspensão do apoio da sigla a Ciro Gomes no Ceará, encerrando formalmente o impasse que havia exposto divisões internas no partido.