Onda de calor faz França entrar em alerta com temperaturas perto de 40 °C

Visitantes usam guarda-chuvas para se proteger do sol durante as altas temperaturas no Museu do Louvre, em Paris, França - Foto: Benjamin Girette/Bloomberg
Agência meteorológica Météo-France coloca 26 departamentos em alerta laranja com temperaturas que podem chegar a 40 °C antes do verão oficial
Vinte e seis departamentos franceses foram colocados em alerta laranja a partir desta quinta-feira (17/6) devido à intensificação de uma onda de calor que já atinge todo o país e deve se agravar nos próximos dias.
As temperaturas podem alcançar os 40 °C em diversas regiões, em um episódio considerado precoce — o verão no hemisfério norte começa oficialmente apenas no próximo sábado (21/6).
De acordo com boletim divulgado pela Météo-France, agência de previsão meteorológica do país, a área afetada se estende da região de Paris até Puy-de-Dôme e Haute-Savoie, onde ocorre a cúpula do G7.
"As temperaturas estão subindo em todo o país dia após dia até o final da semana", alertou a Météo-France.
Na quarta-feira (17/6), os termômetros já registraram 37,3 °C em algumas cidades francesas.
Em Paris, medidas emergenciais começaram a ser adotadas.
A prefeitura autorizou o banho em um trecho do canal Saint-Martin, na zona leste da cidade, como forma de oferecer à população uma "fonte de frescor" diante do avanço das temperaturas.
Paralelamente, a SNCF, empresa estatal de ferrovias, cancelou diversos trens previstos para quinta e sexta-feira, antecipando falhas nos sistemas de ar-condicionado.
O calor extremo também afeta o ambiente natural.
Aves e pequenos mamíferos encontram dificuldades para regular a temperatura corporal, especialmente durante a primavera, período de reprodução.
"É uma fase crítica", explica o ornitólogo Grégoire Loïs, do Museu Nacional de História Natural.
"Uma onda de calor extrema em setembro não tem o mesmo impacto que uma em maio ou junho", ressalta.
A imprensa francesa destaca a gravidade e a recorrência desses episódios.
O Le Parisien enfatiza o caráter excepcional da onda de calor, com possibilidade de quebra de recordes históricos, sobretudo em grandes centros urbanos como Paris, onde as temperaturas noturnas também seguem elevadas, agravando o desconforto térmico.
Já o Libération insere o fenômeno no contexto mais amplo das mudanças climáticas, classificando o calor como um "assassino silencioso" e abordando os riscos à saúde pública.
O jornal também destaca fatores agravantes, como o ressecamento dos solos, e acompanha as medidas das autoridades, que podem incluir restrições a eventos e alertas sanitários.
Especialistas apontam que o episódio não é isolado.
"Estamos enfrentando ondas de calor cada vez mais frequentes, numerosas e intensas, um sinal claro da mudança climática", afirma Matthieu Sorel, climatologista da Météo-France.
Segundo ele, o evento atual se insere em uma tendência de longo prazo, marcada pela antecipação e intensificação desses fenômenos extremos.
A situação na França evidencia como episódios de calor extremo estão se tornando mais comuns e intensos na Europa, com impactos diretos na infraestrutura, na saúde pública e no meio ambiente, conforme alertas reiterados pela Météo-France e por especialistas em climatologia.