No Paraguai, Lula defende Mercosul como política de Estado e fala em reeleição

Presidente Lula durante sessão Plenária da 68.ª Cúpula de Presidentes do Mercosul (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Em cúpula no Paraguai, Lula defende fortalecimento do Mercosul e confirma candidatura à reeleição em 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta terça-feira (30), o fortalecimento institucional do Mercosul para que o bloco não dependa da orientação política dos governos eleitos em cada país-membro.
Em discurso na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, Lula afirmou que o bloco precisa ser tratado como uma política de Estado e garantiu que o Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil independentemente do resultado das eleições presidenciais.
"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente. Se não, a gente nunca vai ter um bloco realmente forte e funcionando", afirmou o presidente durante o discurso.
Lula também abordou os efeitos da alternância de governos sobre projetos de longo prazo, argumentando que as mudanças políticas costumam interromper iniciativas antes que seus objetivos sejam alcançados.
Para ilustrar o ponto, o presidente recorreu a uma metáfora: "Eu sei o que é você subir 12 degraus de uma escada e depois de um ano descer esses 12 degraus. Depois você sobe mais 12 e volta mais 12. Você nunca consegue chegar àquilo que é o sonho das pessoas", declarou.
Ao tratar do cenário político brasileiro, Lula confirmou sua candidatura à reeleição em 2026, afirmando que o objetivo é preservar a democracia e dar continuidade às políticas implementadas por seu governo.
"Vou concorrer para garantir que o Brasil mantenha-se como país democrático, porque não é possível imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes", disse.
Críticas ao antecessor
Na parte improvisada do discurso, Lula fez um balanço de seus mandatos e destacou que seu governo retomou a redução da fome, ampliou o emprego e promoveu o crescimento econômico.
O presidente também afirmou que, ao retornar ao Palácio do Planalto em 2023, encontrou obras públicas paralisadas e estruturas ministeriais desmontadas, em uma crítica direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal adversário de Lula na disputa de 2026.
Na parte final do discurso, Lula retomou o tema da integração regional e reforçou que o Mercosul deve sobreviver às mudanças de governo nos países-membros.
"Acreditem: independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil", disse.
O presidente ainda defendeu que as divergências entre os integrantes do bloco sejam resolvidas por meio do diálogo, apontando esse caminho como essencial para consolidar um projeto comum de integração econômica, política e cultural.