Mbappé iguala Klose e mira recorde de Messi

Kylian Mbappé comemorando um gol pela seleção francesa - Foto: FIFA/FIFA.com
Com 16 gols em Copas do Mundo, Mbappé alcança Klose e está a apenas dois tentos do recorde de Messi
Filadélfia — Aos 27 anos, Kylian Mbappé entrou em uma corrente sem volta: a caça ao recorde de Lionel Messi em Copas do Mundo. Depois de estrear com dois gols diante do Senegal, em Nova Jersey, o atacante francês repetiu a dose contra o Bahrein e chegou a 16 tentos em Mundiais, igualando Miroslav Klose e reduzindo para apenas dois gols a distância em relação ao argentino.
O caminho percorrido por Mbappé impressiona pela velocidade. Em apenas três participações em Copas, o atacante já deixou para trás nomes como Pelé, Gerd Müller e Ronaldo, o Fenômeno. Messi, dono do recorde com 18 gols, precisou de seis edições do torneio para atingir a marca. Quatro dos 16 gols de Mbappé vieram em finais — um no título de 2018 e três no vice-campeonato de 2022.
A partida desta segunda-feira teve significado especial para o camisa 10 da França. Mbappé completou 100 jogos pela seleção e, aos 14 minutos do primeiro tempo, deixou sua marca de forma inconfundível. Recebeu a bola na entrada da área, ajeitou para a perna esquerda e acertou um chute indefensável no ângulo direito do goleiro Ahmed Basil. Antes da explosão de alegria nas arquibancadas, ouviu-se um som raro: o espanto coletivo diante da violência e da precisão da finalização.
Na etapa final, Mbappé ampliou após uma falha gravíssima do zagueiro Tahssen na cobrança do tiro de meta, com assistência de Dembélé. O atual número 1 do mundo fechou o placar em 3 x 0 com uma finalização impecável após passe milimétrico de Olise. Maior artilheiro da história dos Bleus com 60 gols, à frente de lendas como Thierry Henry, Michel Platini, Karim Benzema e Zinedine Zidane, Mbappé também chama atenção pela capacidade de reinvenção. Em 2018, atuava aberto pela direita. No Catar, assumiu a faixa esquerda do ataque.
Em 2026, transformou-se em um centroavante apoiado por uma linha de criação formada por Dembélé, Olise e Barcola. Se dividir o ataque com Antoine Griezmann e Olivier Giroud já era confortável nas últimas Copas, a geração atual ao redor de Mbappé é ainda mais técnica e veloz. Ainda assim, a França convive com um desafio permanente. Embora Didier Deschamps disponha de um elenco extraordinário, a equipe segue cobrada por aliar eficiência e espetáculo. "Existe uma cultura do momento. As equipes vencedoras sempre inspiram o futebol atual e sempre têm razão.
Desde que defendo a França, pedem que imitemos o Barcelona e o jogo de posse de bola, o Real Madrid e agora o estilo de contrapressão do Paris Saint-Germain", desabafou Mbappé na véspera da partida. A França reúne talento suficiente para sonhar com o tricampeonato. Mas talvez o maior adversário habite dentro do próprio grupo. Em um elenco repleto de estrelas, o equilíbrio entre individualidades e coletividade pode definir o destino da equipe na América do Norte.
Deschamps mantém o grupo sob controle, mas sabe que a desunião costuma ser o caminho mais curto para transformar favoritos em decepções. Aos 27 anos, Mbappé disputa a Copa da maturidade. Não corre mais apenas atrás de títulos — nada em direção à própria imortalidade. Klose já está ao seu lado. Messi continua à frente. A correnteza parece empurrar o francês na direção da história, e quem acompanha a viagem tem a sensação de que o próximo capítulo dessa perseguição é apenas uma questão de tempo.