Advogado com nanismo tem segundo recurso negado em concurso de delegado em MG

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Advogado com nanismo é reprovado pela segunda vez no TAF para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais e tem recurso negado pela FGV
O advogado com nanismo Matheus Menezes confirmou que teve um recurso negado pela banca organizadora após ser reprovado pela segunda vez no Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. A defesa de Matheus Menezes, representada pelo advogado Flávio Britto, havia entrado com um recurso administrativo direcionado à própria banca. O pedido questionava tanto o parâmetro utilizado no teste físico quanto a avaliação em si. A organizadora, no entanto, rejeitou o recurso. As informações são do UOL.
Matheus comentou a decisão: "Quanto a questão de como eu analiso a decisão, eu já esperava que a banca iria negar o recurso, assim como faz na maioria das vezes. Foi uma decisão já esperada, de forma que a banca analisou alguns pontos questionados de forma equivocada e se omitiu quanto a outras coisas." Apesar do revés, Matheus Menezes afirmou que mantém o sonho de ingressar na carreira de delegado. Questionado sobre os próximos passos após a disputa judicial, o candidato disse que continua acreditando que conseguirá alcançar seu objetivo.
Desde o início do processo seletivo, Matheus Menezes enfrentou dificuldades relacionadas à falta de adaptações no TAF. No primeiro teste, ele solicitou adequações e apresentou laudos médicos à FGV, banca responsável pela organização do concurso. O pedido, no entanto, não foi atendido. O TAF é uma etapa que pode variar de estado para estado, mas geralmente inclui provas de força, resistência e capacidade cardiovascular, como corrida de resistência, corrida de velocidade, flexão de braço, abdominal e barra fixa. Matheus foi aprovado em todas as etapas teóricas do concurso — objetiva, discursiva e oral —, sendo eliminado apenas na fase física. Sobre isso, ele declarou: "Conquistei a aprovação nas fases teóricas com fruto do meu esforço e dedicação, sendo eliminado em uma fase não por culpa minha, mas por culpa de uma banca que se negou a cumprir a Lei. Eu tenho esse direito e vou lutar por ele até o fim."
Diante da situação, a defesa de Matheus Menezes recorreu ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes entendeu que a banca não respeitou a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 6.476, que trata das regras de concursos públicos para pessoas com deficiência, e determinou a nova aplicação do Exame Biofísico com a adoção de adaptações razoáveis. Matheus foi submetido ao TAF pela segunda vez, mas voltou a ser considerado inapto. A defesa apresentou recurso administrativo, que foi negado pela banca organizadora.
A FGV, por sua vez, afirmou ter cumprido integralmente a decisão judicial. "O resultado preliminar do Exame Biofísico foi divulgado em 15/05/2026 e, após a análise dos eventuais recursos interpostos, será publicado o resultado definitivo da etapa", informou a instituição em nota enviada ao UOL. A reportagem tentou novo contato com a organizadora e também com o advogado de Matheus Menezes. O texto será atualizado caso haja novas respostas.