PR: Ex-namorado é condenado a 23 anos por planejar ataque com soda cáustica contra jovem

Marlon Ferreira Lemes foi condenado por ter planejado e ordenado um ataque com soda cáustica contra a ex-namorada Isabelly Aparecida Ferreira Moro - Imagem: Reprodução/YouTube/TJPR; Reprodução/Redes sociais
Marlon Ferreira Lemes planejou ataque com soda cáustica contra ex-namorada por não aceitar o fim do relacionamento, decidiu júri no Paraná
Marlon Ferreira Lemes foi condenado a 23 anos e três meses de prisão por planejar um ataque com soda cáustica contra sua ex-namorada, Isabelly Aparecida Ferreira Moro, em Jacarezinho, no Norte do Paraná. O Conselho de Sentença concluiu que o crime foi motivado pelo ciúme e pela recusa em aceitar o fim do relacionamento. O julgamento ocorreu após mais de um ano do ataque, registrado em 22 de maio de 2024.
Durante a leitura da decisão, o juiz Renato Garcia destacou os agravantes que pesaram na condenação: "As demais qualificadoras incidirão nesta fase como circunstâncias judiciais negativas, a iniciar pelo motivo: ciúmes, por não aceitar o fim do relacionamento."
Além da pena em regime fechado, Marlon Ferreira Lemes também foi condenado a pagar uma indenização por danos morais à vítima no valor de R$ 50 mil.
O crime
Isabelly foi atacada na tarde de 22 de maio de 2024, enquanto se dirigia à academia, na Alameda Padre Magno, região central de Jacarezinho. Uma mulher se aproximou dela, jogou soda cáustica e fugiu rapidamente. No momento do ataque, a suspeita usava peruca e roupas largas para dificultar sua identificação.
Imagens de câmeras de monitoramento registraram Isabelly correndo em busca de ajuda após ser atingida. Um barbeiro que presenciou a cena a colocou em seu carro e a levou ao hospital. Após o ataque, uma testemunha encontrou no local uma sacola preta e um copo molhados, que foram recolhidos para análise.
Isabelly foi atingida no rosto e na região peitoral, sofrendo queimaduras de segundo grau na boca, cavidade orofaríngea, hipofaringe e tronco, além de lesões no lábio superior, inferior e na cavidade oral. No hospital, ela desenvolveu um quadro infeccioso e precisou ser intubada para ventilação mecânica e sedação. A jovem ficou cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina antes de receber alta.
Os acusados
Os responsáveis pelo ataque são Marlon Ferreira Lemes, ex-namorado de Isabelly, e Débora Aparecida Custódio Ferreira, que na época era companheira dele. Débora foi presa pela Polícia Militar dois dias após o crime, depois que o dono de um hotel onde ela estava se escondendo fez uma denúncia. Marlon, por sua vez, já se encontrava preso por um roubo de celular no momento do ataque.
Segundo o Ministério Público, a análise dos dados do celular de Débora revelou que Marlon Ferreira Lemes planejou o crime mesmo estando detido, convencendo Débora a executar o ataque contra Isabelly.
Os dois foram denunciados pelo MP-PR em 7 de junho de 2024, e em 16 de maio de 2025 a Justiça determinou que seriam submetidos ao júri popular. Marlon segue preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina, enquanto Débora está na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.
O que disseram em depoimento
Em depoimento prestado durante o processo, ao qual o g1 teve acesso, ambos confessaram o crime. Marlon admitiu que planejou o ataque com Débora, alegando que o objetivo era dar um "susto" em Isabelly, pois ela supostamente passava em frente à cadeia no horário de visitas e debochava de Débora.
Débora, por sua vez, confirmou que praticou o ataque e revelou que Marlon havia comprado o material antes de ser preso e feito pesquisas sobre o produto. Ela também afirmou que ele a orientou a se disfarçar. "Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia", contou Débora, no depoimento.
Débora também estava sendo julgada no mesmo tribunal, mas sua defesa optou por abandonar o Tribunal do Júri no início da tarde de terça-feira, alegando que o julgamento "não estava sendo justo" a ela. Com isso, ela será julgada em uma nova data, ainda não definida.