Lula diz que Brasil "não vai ficar chorando" pelos EUA e buscará novos parceiros

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Lula anuncia carta a Trump e diz que Brasil buscará novos parceiros se EUA impuserem barreiras comerciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira, 3, que enviará uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em resposta à recomendação do United States Trade Representative (USTR) de taxar em 25% os produtos brasileiros. Além disso, Lula declarou que pretende escrever artigos na imprensa norte-americana e mundial para contestar a postura da Casa Branca.
"Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária", destacou Lula.
Durante a reunião ministerial desta quarta-feira, o presidente também orientou os ministros a afirmarem publicamente que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria tentando trair o Brasil ao defender as ações dos Estados Unidos com vistas às eleições presidenciais. Sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal oponente esperado em outubro, Lula classificou a conduta dele ao se encontrar com Trump na semana passada como uma "traição da pátria".
"Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria", afirmou o presidente.
Lula deixou claro que, diante de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, a orientação do governo é buscar outros parceiros. "Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito de não querer, agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando", disse o presidente.
O presidente também enviou recados sobre os minerais críticos brasileiros, que são de interesse dos Estados Unidos, sinalizando que qualquer exploração desses recursos deve passar pela comunicação prévia ao governo brasileiro.
Lula convocou a reunião ministerial desta quarta-feira para alinhar a estratégia de comunicação do governo federal nos últimos meses de mandato. O objetivo é coordenar a divulgação dos principais programas com potencial eleitoral para a campanha à reeleição, como o Desenrola 2.0 e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. O presidente definiu o encontro como uma "arrumação de discurso" e orientou que nenhum dos ministros deve recuar diante das ações vindas dos Estados Unidos. Lula também revelou que, apesar de inicialmente não ter planos de participar da reunião do G7, que ocorre entre os dias 15 e 17 deste mês na França, decidiu comparecer ao encontro de lideranças globais porque alguém precisa "tentar colocar ordem na casa".