Lula confirma presença no G7 e busca reunião com Trump sobre tarifas

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente brasileiro quer discutir com Trump as novas tarifas de 25% impostas aos produtos brasileiros durante a Cúpula do G7 na França
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Cúpula de Líderes do G7, em Evian, na França.
Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (3/6), Lula confirmou sua participação no evento, marcado para o dia 15 de junho. A Casa Branca já confirmou a presença de Trump no encontro.
Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a expectativa do petista é conversar diretamente com Trump sobre as novas tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos EUA na segunda-feira (1º/6) sobre produtos brasileiros.
Na terça-feira (2/6), o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) também determinou uma nova taxação de 12,5%, referente à investigação da Seção 301 sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado.
Além das tarifas, Lula também pode aproveitar o encontro para tratar com Trump sobre a classificação, feita pelo governo norte-americano, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, anunciada na última sexta-feira (30/5).
Embora o Brasil não integre o G7, Lula foi convidado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em fevereiro, para participar da Cúpula. O encontro reúne líderes das maiores economias do mundo, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
O último encontro entre os presidentes do Brasil e dos EUA havia ocorrido no dia 7 de maio, na Casa Branca, em Washington.
Lula critica o tarifaço
Durante a reunião ministerial desta quarta-feira, Lula afirmou que não foi comunicado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos sobre as novas tarifas comerciais impostas a produtos brasileiros.
O petista prometeu ainda enviar uma carta ao presidente americano e disse ter sido surpreendido pelo anúncio, reforçando que o país "não pode aceitar" o tratamento dado pelos Estados Unidos ao Brasil.
Em seus discursos, Lula tem atribuído a decisão das novas tarifas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, responsável pela política externa dos EUA e próximo da família Bolsonaro.
Na reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto, o presidente fez questão de criticar o auxiliar de Trump de forma direta.
"Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é o latino-americano frustrado. [...] Ele não sabe o que nós já sabemos, que antes dessa jogada deles, esse país foi vítima de golpe em 1964, e naquele tempo articulado por embaixadores americanos. Então é importante que eles saibam que nós conhecemos a história", declarou.
A presença de Lula no G7 representa uma oportunidade para o Brasil tratar diretamente com os Estados Unidos sobre as tensões comerciais e diplomáticas que se intensificaram nas últimas semanas, incluindo as novas tarifas e a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.