Policial civil é preso por roubo de ouro em Manaus

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Policial civil preso em Manaus é apontado como motorista de viatura usada no transporte de 77 kg de ouro avaliados em R$ 50 milhões
O policial civil Luciano Granjeiro foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (9) em Manaus. Segundo as investigações, ele é apontado como o "piloto" da viatura oficial utilizada no transporte do ouro no dia do assalto. A prisão integra a "Operação Piloto de Fuga", deflagrada em conjunto com o Ministério Público do Amazonas (MPAM), com o objetivo de identificar e responsabilizar todos os envolvidos no esquema criminoso.
A operação dá continuidade às diligências da "Operação Auxílio Criminoso", deflagrada no dia 29 de maio. De acordo com a PF, Luciano Granjeiro atuava diretamente no núcleo operacional da organização criminosa, composto por agentes de segurança pública estaduais. O grupo é suspeito de praticar o chamado "arrocho" — roubo de carregamentos de ouro de outras quadrilhas. Além do mandado de prisão preventiva, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão. Um deles foi executado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde Luciano Granjeiro trabalhava em Manaus.
"Conseguimos identificar o piloto da viatura utilizada no transporte no dia do roubo, além de recolhermos provas na casa de um advogado suspeito de ocultar evidências. O esquema é complexo e envolve duas frentes: um núcleo composto por agentes de segurança pública estaduais, que realizavam o "arrocho" (roubo) do ouro, e outro formado por civis, responsáveis pelo transporte do metal", explicou o delegado da Polícia Federal, Jonathans Simas.
Por meio de nota, a Polícia Civil do Amazonas esclareceu que não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta por parte de seus servidores e que colabora integralmente com as investigações conduzidas pela PF. "O caso também será encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública, que instaurará procedimento administrativo para a rigorosa apuração do ocorrido", diz a nota.
As investigações da PF e do MPAM revelam que a organização atuava em uma complexa engrenagem interestadual. Enquanto os policiais realizavam o roubo do metal precioso, um núcleo formado por civis ficava encarregado da logística de transporte. O ouro saía originalmente do estado do Pará, fazia uma parada estratégica no Amazonas e tinha como destino final o estado de Roraima. De lá, o material seria ilegalmente enviado para o exterior.
A operação deflagrada nesta terça é um desdobramento de uma das maiores apreensões de ouro da história do Amazonas, ocorrida em outubro de 2025. Na ocasião, as forças de segurança interceptaram 77 quilos de ouro ilegal, avaliados em quase R$ 50 milhões. Na primeira fase das investigações, três policiais — dois militares e um civil — já haviam sido presos em flagrante dentro de uma residência em Manaus enquanto tentavam roubar a carga. Com a identificação e prisão de Luciano Granjeiro, a Polícia Federal informa ter capturado o quarto integrante do núcleo principal de roubos. Os investigados nesta fase poderão responder pelos crimes de roubo, associação criminosa, usurpação de bens da União e fraude processual.