MG: advogado é condenado a 24 anos por homicídio e aborto contra farmacêutica

Foto: TRT13
Réu foi condenado por feminicídio e aborto após matar a farmacêutica Laureane dos Santos em Brasília de Minas em 2021
O advogado acusado de matar a farmacêutica Laureane dos Santos, em Brasília de Minas, no ano de 2021, foi condenado a 24 anos de prisão por homicídio qualificado e aborto. O julgamento pelo júri popular teve início por volta das 9h da quinta-feira (25), no Fórum Gonçalves Chaves, em Montes Claros, e a sentença foi lida no início da noite. O réu recebeu pena de 20 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, asfixia e feminicídio — além de mais quatro anos pelo crime de aborto. O processo corre em segredo de Justiça, o que impediu o acesso à denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Antes do início do julgamento, a promotora Maria Cristina Santos Almeida manifestou a expectativa do Ministério Público pela condenação nos dois crimes. "O Ministério Público espera, com certeza, uma condenação. A prova dos autos é clara de que houve feminicídio e também o crime de aborto", declarou a promotora. Segundo a promotora, mensagens enviadas pelo réu à vítima indicavam que ele pressionava Laureane a abortar o bebê que esperava.
"Ela nega, ele combina com ela de sair, como se fosse um encontro amoroso normal, e ali desencadeia a tentativa de envenenamento e a esganadura", explicou Maria Cristina. Familiares de Laureane acompanharam o julgamento, cobraram por Justiça e relembraram a vítima com carinho e saudade. A mãe, Marieta Medeiros, descreveu a filha com emoção: "A minha filha era uma pessoa que não perdia um minuto na vida, ela ocupava seu tempo todinho, estava focada nos trabalhos, focada nos estudos.
Uma das coisas que ela mais gostava era de estudar. Ela estava se preparando para um concurso e foi tudo por água abaixo. Isso é muito triste, é triste demais para mim e para a família. Nós estamos sofrendo amargamente." Ricardo Simões, primo da farmacêutica, também se pronunciou durante o julgamento: "Que a Justiça seja feita não só por Laureane, mas por todas as mulheres que, a cada dia, vêm sendo mortas, torturadas."
O corpo de Laureane dos Santos foi encontrado no dia 25 de novembro em um bairro afastado de Brasília de Minas. O delegado Flávio Cavalcante, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), relatou que, inicialmente, não havia indícios de crime. "O corpo dela foi encontrado em um bairro afastado da cidade e no momento não havia qualquer suspeita de crime. Os policiais encontraram apenas um líquido arroxeado e outro esbranquiçado e suspeitavam tratar-se de vinho e leite condensado", disse o delegado. A perícia da Polícia Civil, no entanto, concluiu que a morte de Laureane foi causada por asfixia por constrição cervical. "A vítima teve seu pescoço apertado, gerando falta de ar até a morte", explicou Cavalcante.
O advogado foi apontado como suspeito logo no dia em que o corpo foi encontrado, mas sem provas concretas. Com a abertura do inquérito, os investigadores passaram a reunir evidências que o ligavam ao crime. O álibi apresentado pelo suspeito, de estar em uma reunião profissional no momento do crime, foi derrubado pelas investigações. "No momento do crime, o suspeito apresentou como álibi estar em uma reunião profissional, mas pouco tempo depois ele foi visto comprando quatro cervejas e calibrando o pneu de sua motocicleta em um posto da cidade. Ocorre que nós descobrimos que a reunião que ele alega ter participado, ele saiu dela às 19h. Ele foi para casa, trocou de roupa e se dirigiu a uma sorveteria, onde comprou dois açaís", detalhou Cavalcante.
Imagens de câmeras de segurança também foram fundamentais para identificar o suspeito. "Nós identificamos uma motocicleta saindo da cidade e o condutor da moto estava com uma camisa azul e uma bermuda preta, mesma vestimenta que o suspeito utilizava na sorveteria. Essa motocicleta levava uma passageira que estava com uma blusa amarela e uma calça jeans clara, mesma vestimenta da vítima no local do crime", afirmou o delegado. Os registros apontaram que o suspeito saiu da cidade em direção ao local do homicídio às 21h e retornou às 23h, sem ninguém na garupa.
Além disso, as investigações revelaram que, na semana anterior ao crime, ele adquiriu venenos em Brasília de Minas. "Ele comprou um veneno de rato em uma casa agropecuária da cidade. Sem utilizar esse veneno, procurou por um veneno mais forte, capaz de matar gatos, em outra casa agropecuária", concluiu Cavalcante. A defesa do advogado foi procurada pela Inter TV após o resultado do julgamento, mas ainda aguardava retorno até o fechamento da reportagem.