Keir Starmer renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer - Foto: Jaimi Joy
Keir Starmer anunciou sua renúncia à liderança do Partido Trabalhista após pressão crescente de deputados e rivais internos
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou sua renúncia nesta segunda-feira (22), em pronunciamento realizado em frente à Downing Street, sede do governo britânico em Londres. Ele afirmou que permanecerá no cargo até que o Partido Trabalhista escolha seu sucessor.
"Todas as decisões que tomei tiveram como objetivo colocar em primeiro lugar o país que amo. É por isso que vou renunciar à liderança do Partido Trabalhista", declarou Keir Starmer, com a voz embargada.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu à notícia elogiando Starmer como "um homem de Estado que reforçou a segurança da Europa". Já o líder do partido de extrema direita Reform UK, Nigel Farage, defendeu a convocação imediata de eleições legislativas antecipadas.
Keir Starmer chegou ao poder em julho de 2024 e vinha sendo pressionado a deixar o cargo após a vitória de seu rival Andy Burnham em uma eleição parcial realizada na semana passada. Na sexta-feira, o premiê ainda afirmava que "lutaria" para permanecer no poder, mas a pressão aumentou ao longo do fim de semana.
Segundo a Sky News, várias figuras influentes do governo, incluindo a ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, pediram que Starmer definisse uma data para sua saída. Mais de 100 deputados trabalhistas passaram a exigir sua renúncia, o que representa cerca de um quarto da bancada do partido, segundo a agência Associated Press.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, é provável que Keir Starmer permaneça no cargo ao menos até o fim do verão, com a escolha do novo líder prevista para o congresso do Partido Trabalhista, no fim de setembro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que a renúncia do líder trabalhista era inevitável e lhe desejou "o melhor". "Keir Starmer vai renunciar", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. "Ele falhou de forma lamentável em dois temas muito importantes - imigração e energia (explorem o petróleo do Mar do Norte!)", acrescentou, intensificando críticas que já fazia há meses.
Questionado no domingo pela AFP, Downing Street ainda afirmava que Starmer mantinha sua posição. Ele passou o fim de semana em Chequers, a residência de campo dos primeiros-ministros, onde se reuniu com aliados e familiares.
Com a saída de Keir Starmer, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em dez anos, um nível de instabilidade sem precedentes na história recente do país.
Ex-advogado, de 63 anos, Starmer assumiu o governo após uma vitória expressiva do Partido Trabalhista nas eleições legislativas de julho de 2024. As expectativas eram altas após 14 anos de governos conservadores, mas, dois anos depois, o Reino Unido continua enfrentando uma economia estagnada e uma forte alta no custo de vida.
Keir Starmer também cometeu erros ao longo de seu governo, como a nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington. Nove meses depois, Mandelson foi demitido após revelações sobre sua amizade com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
No início de maio, o Partido Trabalhista sofreu uma derrota contundente em eleições locais, em benefício do partido anti-imigração Reform UK, de Nigel Farage, o que intensificou as críticas internas a Starmer.
Andy Burnham, de 56 anos, venceu na quinta-feira na circunscrição de Makerfield, no norte da Inglaterra, com 54,8% dos votos, contra 34,5% do candidato do Reform UK. Prefeito da Grande Manchester desde 2017 e apelidado de "rei do Norte", Burnham repetiu durante a campanha que quer "mudar o Labour e o país". Embora tenha sido derrotado duas vezes na disputa pela liderança do partido, em 2010 e 2015, Burnham é hoje o político preferido dos britânicos, segundo o instituto YouGov.