Reino Unido anuncia proibição de redes sociais para menores de 16 anos

Primeiro-ministro britânico anuncia proibição de menores de 16 anos em redes sociais para protegê-los de conteúdo prejudicial
O Reino Unido anunciou a proibição de menores de 16 anos de usar redes sociais como Instagram, TikTok, YouTube, Snapchat, Facebook e X.
A medida tem como objetivo proteger crianças de conteúdo prejudicial e do uso excessivo de telas, e foi apresentada nesta terça-feira (16/6) pelo primeiro-ministro Keir Starmer.
O anúncio ocorreu após uma consulta pública conduzida pelo governo britânico, com a participação de mais de 116 mil pessoas, entre adolescentes, pais e representantes da indústria de tecnologia.
Dos pais que participaram, 91% declararam apoiar a idade mínima de 16 anos para o acesso às redes sociais.
"Todos os pais podem ver isso com seus próprios olhos. As redes sociais estão deixando as crianças infelizes", afirmou Keir Starmer, que é pai de dois filhos adolescentes.
"Ouvi diretamente famílias pedindo mudança e faremos o que é certo por elas."
O plano teve recepção mista: enquanto alguns elogiaram Keir Starmer por agir, outros questionaram a eficácia de uma proibição ampla e alertaram para possíveis novos riscos associados à medida.
O Reino Unido pretende seguir o modelo adotado pela Austrália, que no ano passado se tornou o primeiro país do mundo a impedir menores de 16 anos de criar contas em redes sociais.
Keir Starmer deixou claro que a fiscalização terá como alvo as empresas de tecnologia, e não as crianças.
Plataformas que não adotarem medidas adequadas para excluir usuários menores de 16 anos poderão ser punidas com multas milionárias.
O governo também pretende agir para impedir que desconhecidos entrem em contato com crianças em plataformas de jogos e transmissões ao vivo.
Entre as medidas adicionais previstas, chatbots de inteligência artificial desenvolvidos para simular relações românticas ou sexuais serão restritos a maiores de 18 anos.
As autoridades também avaliam a implementação de toques de recolher noturnos e pausas na rolagem infinita para menores de 18 anos.
A expectativa de Keir Starmer é que a regulação seja aprovada até o final de dezembro deste ano.
O anúncio ocorre uma semana após o Ministério do Interior britânico exigir que gigantes da tecnologia impeçam crianças de enviar e receber imagens íntimas por meio de seus dispositivos, sob pena de serem obrigados a fazê-lo por lei.
Uma análise da Internet Watch Foundation, citada pelo governo, revelou que 91% dos casos de abuso sexual online de menores registrados em 2024 continham conteúdo gerado pelas próprias crianças vítimas do abuso.