Irã lança mísseis contra Israel, que afirma ter interceptado todos

Teerã diz que ataque é retaliação a bombardeios israelenses no Líbano; Israel afirma ter interceptado todos os mísseis
Israel afirmou ter interceptado, neste domingo (07/06), todos os mísseis disparados pelo Irã em direção ao seu território, marcando o primeiro ataque de Teerã desde o frágil cessar-fogo firmado em abril. O regime iraniano classificou a ofensiva como retaliação por bombardeios israelenses horas antes contra posições do Hezbollah em Beirute, no Líbano. O episódio complica ainda mais os esforços de mediação para encerrar definitivamente a guerra no Oriente Médio. A emissora estatal do Irã confirmou os lançamentos e citou as forças armadas, que declararam: "se Israel responder aos ataques iranianos ou não parar seus ataques ao Líbano, os ataques iranianos continuarão". Um dos alvos visados foi a base aérea Ramat David, ao sul de Haifa.
A Guarda Revolucionária iraniana descreveu a ofensiva como um "aviso", alertando que, caso o conflito em larga escala seja retomado, "as respostas serão mais amplas e incluirão todos os alvos americanos-sionistas na região". Temendo retaliação, o Irã fechou a porção ocidental de seu espaço aéreo logo após os lançamentos. O Exército de Israel confirmou a interceptação dos mísseis, mas ponderou que "a defesa não é hermética".
Múltiplas explosões foram ouvidas no norte do país, sem relatos de feridos. O Hezbollah não se pronunciou imediatamente, apesar de a região ser frequentemente alvo do grupo. O bombardeio israelense a Beirute, realizado sem aviso prévio, contrariou apelos do governo americano, que tenta negociar com o Irã. O regime em Teerã é aliado do Hezbollah e tem condicionado qualquer acordo de paz ao fim da ofensiva israelense no Líbano. Israel, por sua vez, afirmou ter agido em resposta a um ataque do Hezbollah ao norte do país no mesmo dia. A escalada ocorre poucos dias após os governos do Líbano e de Israel concordarem com um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, acordo que o Hezbollah rejeitou.
Após o Irã lançar seus mísseis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à emissora Fox News que gostaria de ver Teerã de volta à mesa de negociações. Ele também afirmou que o ataque israelense ao Líbano não foi coordenado com Washington. "Não estou feliz com isso", queixou-se sobre Tel Aviv. Segundo o portal Axios, Trump telefonou ao presidente israelense Benjamin Netanyahu logo depois para pedir que Israel não respondesse aos mísseis iranianos. "Cada um deles teve sua diversão. Israel teve seu bombardeio, e o Irã teve seu bombardeio. Não precisamos de outro", disse Trump, acrescentando que estaria "muito perto" de um acordo final com o Irã. "Não quero que vá pelos ares por causa do que está acontecendo agora."
Jornalistas da agência de notícias Associated Press relataram fortes explosões no céu sobre Damasco, na Síria. A mídia estatal síria atribuiu os estrondos às defesas aéreas israelenses. Pouco antes dos lançamentos iranianos, o Comando Central dos EUA publicou no X: "As forças dos EUA em todo o Oriente Médio permanecem vigilantes e prontas". O novo ataque do Irã contra Israel representa mais um ponto de inflexão em um conflito que já se arrasta há meses, com o cessar-fogo de abril mostrando sinais de fragilidade diante das tensões crescentes entre as partes envolvidas.