Negociações entre EUA e Irã estão travadas

EUA-Irã (Foto: Prensa Latina )
Após ameaças de Trump, negociações entre Washington e Teerã travam; Irã rejeita bomba atômica mas defende enriquecimento de urânio
As negociações entre Washington e Teerã entraram em uma "fase difícil" após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a agência de notícias estatal IRNA. Trump fez múltiplos avisos ao Irã neste domingo (21), incluindo a ameaça de "atingir o Irã muito fortemente novamente". Um funcionário com conhecimento das negociações disse à Associated Press que a delegação iraniana continua envolvida nas tratativas e não indicou aos mediadores qualquer intenção de se retirar. O funcionário pediu anonimato devido à sensibilidade do processo.
Conversas nos bastidores estão em andamento para que as partes retomem o diálogo diplomático. Anteriormente, o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou o que chamou de "desespero" dos EUA depois que Trump ameaçou a delegação iraniana que negociava na Suíça. O líder americano também afirmou que os EUA poderiam "tomar o controle" do Estreito de Ormuz caso não se chegue a um acordo com o Irã.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o Estreito de Ormuz segue aberto para o tráfego marítimo, apesar das tensões na região. Segundo ele, 67 embarcações atravessaram a passagem estratégica nas últimas 24 horas, volume semelhante ao registrado antes da escalada do conflito envolvendo EUA e Irã. Em entrevista à emissora Fox News, Wright destacou que o fluxo de navios, incluindo petroleiros e embarcações que transportam derivados de petróleo, permanece dentro da normalidade.
A declaração contrasta com o anúncio feito no sábado (20) pelo comando militar iraniano, que afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz em resposta à campanha militar de Israel no Líbano contra o grupo Hezbollah. O governo norte-americano contestou a informação.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou neste domingo (21) que o país não tem interesse em desenvolver uma bomba atômica e que não terá problemas em registrar essa posição por escrito em um acordo de paz definitivo com os Estados Unidos. No entanto, segundo ele, o Irã não abrirá mão de seu "direito de enriquecer urânio" para fins pacíficos. "O que os Estados Unidos exigem é que o Irã não construa uma bomba atômica.
O Líder Supremo já anunciou que o Irã não tem esse interesse, e nós também já falamos isso diversas vezes. Mas não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento de urânio, e a outra parte será obrigada a aceitar esse direito", afirmou Pezeshkian, durante pronunciamento em Teerã neste domingo. As negociações entre os dois países seguem em um momento de grande instabilidade, com as partes ainda buscando um caminho para retomar o diálogo formal, enquanto as tensões diplomáticas e militares na região continuam elevadas.