Inflação acumula 4,72% em 12 meses, apesar dos subsídios de Lula

Foto: Foto: Ramiro Furquim/Sul21 Paulo Niederle
O IPCA acumulou 4,72% em 12 meses, com alimentos pressionando a alta mesmo após medidas do governo para conter preços dos combustíveis
A inflação anual do Brasil acelerou em maio, mesmo com a queda nos preços dos combustíveis promovida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12), revelando que o IPCA acumulou 4,72% nos últimos doze meses. A variação mensal do IPCA foi de 0,58%, abaixo dos 0,67% registrados em abril, mas ainda assim a maior taxa para o mês de maio desde 2021.
O resultado ocorre em um cenário de instabilidade nos mercados globais de energia, provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio mundial de petróleo — em decorrência do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel. Para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços domésticos, o governo Lula implementou um pacote de subsídios e isenções fiscais que abrange diesel, gás de cozinha e combustível de aviação. As medidas surtiram efeito parcial: os custos de transporte recuaram 0,46%, puxados pela queda no etanol (-6,20%), no diesel (-2,34%) e na gasolina (-1,46%). Por outro lado, os preços dos alimentos foram o principal vetor de alta do IPCA em maio, com avanço de 1,33%.
O analista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), explicou os dois movimentos à AFP: "A queda de combustíveis foi por conta de subsídios, tanto diesel como gasolina. E o aumento de alimentos foi por conta de questões sazonais". Vale lembrar que a rede logística brasileira é baseada principalmente no transporte rodoviário de cargas, o que torna os preços dos combustíveis um fator sensível para toda a cadeia de produção e distribuição de alimentos no país. Desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, a inflação acumulada em 12 meses no Brasil tem subido de forma constante.
O último boletim Focus do Banco Central projeta que o índice ultrapasse 5% até 2026, sinalizando um cenário de pressão inflacionária persistente. O aumento do custo de vida é uma das principais preocupações dos brasileiros e deve se tornar tema central na campanha para as eleições de outubro, nas quais Lula buscará a reeleição. Pesquisas recentes mostram o presidente com vantagem de vários pontos percentuais no segundo turno sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra preso por tentativa de golpe de Estado.