Israel intensifica ataques no Líbano após Hezbollah rejeitar trégua

Ataques de Israel no Líbano
Após o Hezbollah recusar cessar-fogo negociado em Washington, Israel ordena evacuações no sul do Líbano e intensifica operações militares
Israel intensificou seus ataques no sul do Líbano nesta sexta-feira (5), ordenando a evacuação de diversas cidades após o Hezbollah rejeitar uma proposta de trégua no contexto da Guerra no Irã. O conflito se agravou desde 2 de março, quando o grupo libanês passou a atacar Israel em apoio ao Irã, ampliando a guerra regional iniciada após confrontos entre Israel, Estados Unidos e forças iranianas.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses mataram pelo menos 3.526 pessoas desde março, enquanto do lado israelense 27 soldados e um civil terceirizado perderam a vida. O conflito complica as negociações entre Washington e Teerã, que exige um cessar-fogo completo no Líbano como parte de qualquer acordo, além de tensionar as relações entre os Estados Unidos e Israel.
Tensão entre Trump e Netanyahu
No início desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou seu aliado e primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamando-o de "louco" por ameaçar bombardear Beirute e colocar em risco as negociações com o Irã. Após dois dias de negociações em Washington, representantes dos governos israelense e libanês chegaram a um acordo de cessar-fogo. No entanto, o Hezbollah, movimento pró-Irã com considerável influência no Líbano, rejeitou o acordo e exigiu um cessar-fogo abrangente e a retirada completa de Israel do sul do país.
Desde o início da guerra com o Irã, Israel realizou sua incursão mais profunda em território libanês em duas décadas. O porta-voz em árabe do exército israelense, Avichay Adraee, alertou nesta sexta-feira os moradores de várias cidades do sul do Líbano, região que é um reduto histórico do Hezbollah e de onde o grupo frequentemente lança ataques contra o norte de Israel. "Qualquer pessoa que esteja perto de operativos do Hezbollah, suas instalações ou suas armas está colocando sua vida em perigo!", publicou Adraee no X. A NNA, agência de notícias oficial do Líbano, relatou um deslocamento em massa de pessoas em três das aldeias afetadas e um ataque a uma delas.
"Liberdade para matar"
Durante a noite, ataques aéreos israelenses mataram sete civis na cidade libanesa de Tiro, segundo uma fonte da Defesa Civil Libanesa que falou à AFP. Quatro pessoas morreram perto do Hospital Jabal Amel e outras três em uma área residencial. "Eu estava no quarto do hospital onde minha mãe estava internada quando houve uma forte explosão. Ela já havia escapado milagrosamente do primeiro ataque [na segunda-feira], quando estava na UTI", disse à AFP Marwan Ghorayeb, um oficial aposentado das forças de segurança. "Minha casa na aldeia foi destruída, minha casa em Tiro também; não nos restou nada além da roupa do corpo", acrescentou.
O líder do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou na quinta-feira o cessar-fogo anunciado por enviados libaneses e israelenses em Washington, que estipulava que o grupo interromperia seus ataques contra Israel. "O cessar-fogo deve ser global (...) sem que o inimigo israelense tenha liberdade para matar", declarou Qasem, instando o governo libanês a pôr fim "à farsa e à humilhação das chamadas negociações diretas" com Israel.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o exército "continuará suas operações aéreas e terrestres (...) enquanto continuar desmantelando a infraestrutura terrorista". Ele também afirmou que as forças israelenses estão "livres" para atacar Beirute, a capital libanesa, caso o Hezbollah ataque comunidades israelenses.
Enquanto isso, a ONU dobrou seu apelo por ajuda humanitária para o Líbano nesta sexta-feira, elevando o valor para 640 milhões de dólares (3,2 bilhões de reais). "O deslocamento repetido, a capacidade insuficiente de acomodação e as perspectivas limitadas de retorno seguro exacerbam a vulnerabilidade", declarou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Com o Hezbollah recusando qualquer acordo parcial e Israel mantendo suas operações militares no sul do Líbano, a perspectiva de uma solução diplomática permanece distante, enquanto a crise humanitária no país segue se agravando.