Hezbollah rejeita acordo com Israel e classifica como "rendição humilhante"

Bandeiras do Hezbollah, um grupo islâmico xiita fundado no Líbano em 1982
Líder do Hezbollah, Naim Qasem, chamou o pacto firmado entre Líbano e Israel de "humilhante" e declarou o acordo nulo e sem efeito
Naim Qasem, líder do Hezbollah, criticou neste sábado (27) o acordo-quadro firmado entre os Estados Unidos, Israel e Líbano, classificando-o como um "grave erro" por parte de Beirute.
O movimento declarou o tratado como nulo e sem efeito, rejeitando qualquer legitimidade ao pacto.
"O acordo em Washington [entre Israel e Líbano] é humilhante, vergonhoso e uma rendição de soberania. Este acordo é nulo e sem efeito, e as disposições do memorando de entendimento Irã-Estados Unidos devem ser aplicadas", afirmou Qasem em um comunicado, acusando as autoridades libanesas de "legitimar" a ocupação israelense.
O líder do Hezbollah foi além nas críticas e pediu ao governo libanês que se arrependesse de "seus pecados, que estão arruinando o Líbano".
Na avaliação de Qasem, o Líbano "legitimou" a ocupação israelense "por muitos anos", o que "poderia até levar à anexação dessas terras".
O grupo pró-Irã rejeita firmemente as negociações diretas entre o Líbano e Israel, que estão em andamento desde abril.
O cessar-fogo de 17 de abril não conseguiu interromper os combates entre Israel e o Hezbollah, mas a violência diminuiu desde que os Estados Unidos e o Irã assinaram um memorando de entendimento na semana passada.
O Irã, por sua vez, insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir o Líbano.
Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun classificou o acordo com Israel como "um primeiro passo" para restaurar a soberania do país.
O pacto estabelece um processo pelo qual as forças armadas libanesas devem "restabelecer a autoridade soberana efetiva sobre todo o território libanês, até que o desarmamento dos grupos armados não estatais seja verificado".
Pouco após o anúncio do acordo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reiterou que as forças de seu país permaneceriam no território libanês ocupado "até que o Hezbollah se desarme".
A posição do Hezbollah evidencia a profunda divisão entre o grupo e o governo libanês sobre os rumos das negociações com Israel, com o movimento mantendo sua oposição intransigente a qualquer entendimento direto entre Beirute e Tel Aviv.