Fragata russa dispara contra iate britânico no Canal da Mancha

Navio de guerra britânico segue fragata russa - Foto: Ministério da Defesa do Reino Unido/Marinha Real Britânica/Handout
Fragata russa Grigorovich disparou tiros de advertência contra iate do Reino Unido no Canal da Mancha após suposta aproximação perigosa
A Rússia confirmou que a fragata Grigorovich disparou tiros de advertência contra um iate registrado no Reino Unido na última terça-feira (16/6), após o que Moscou descreveu como uma "aproximação perigosa" no Canal da Mancha.
O governo britânico declarou estar investigando o incidente, que ocorreu a cerca de 20 milhas náuticas ao sul da Ilha de Wight, logo fora das águas territoriais britânicas.
O episódio aconteceu dias após comandos britânicos terem interceptado e abordado uma embarcação suspeita de pertencer à "frota fantasma" russa na mesma região do Canal, na primeira operação desse tipo liderada pelo Reino Unido.
O incidente também coincidiu com a cúpula dos líderes do G7 no leste da França, onde os participantes concordaram em intensificar a pressão sobre a Rússia para encerrar mais de quatro anos de guerra contra a Ucrânia.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a tripulação do Grigorovich tentou alertar o iate antes de recorrer aos disparos. "Para chamar a atenção da tripulação do iate, foram disparados sinalizadores e emitidos sinais sonoros. Apesar dessas medidas, a embarcação continuou sua aproximação perigosa", declarou o ministério em comunicado oficial.
O iate britânico relatou que os tiros de advertência foram disparados a uma distância de aproximadamente 500 jardas (457 metros).
Não houve relatos de feridos ou danos à embarcação, que seguiu viagem após uma verificação de segurança conduzida por uma equipe enviada em um bote a partir do navio da Marinha britânica HMS Tyne.
Sabe-se ainda que outro navio britânico, o HMS Mersey, monitorava o Grigorovich no momento do incidente.
Questionado sobre os disparos, um porta-voz do Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou: "Estamos investigando relatos de um incidente no Canal da Mancha". Uma fonte de defesa britânica acrescentou que o caso está sendo tratado como um episódio isolado, sem ligação com a interceptação realizada na madrugada de domingo.
O histórico do Grigorovich no Canal da Mancha
O jornal britânico Telegraph noticiou em maio que o Grigorovich patrulhava a costa do Reino Unido há quase dois meses, escoltando pelo Canal da Mancha navios-tanque integrantes da chamada "frota fantasma" russa — embarcações utilizadas para burlar sanções internacionais.
A Marinha britânica havia informado anteriormente que mobilizou vários navios-patrulha para monitorar a fragata, afirmando que "não houve um único dia" em abril em que ela não tenha sido "observada de perto".
Segundo as autoridades britânicas, o Grigorovich escoltou navios com bandeira russa que "se dirigiam ao Atlântico, ao Mediterrâneo e ao Báltico, ou retornavam dessas regiões".
A interceptação realizada no domingo envolveu o embarque de comandos britânicos no navio-tanque Smyrtos, alvo de sanções e apontado como parte da "frota sombra" da Rússia, em uma operação aclamada por Kiev e Londres como um golpe contra a máquina de guerra de Moscou.
Os comandos desceram de rapel a partir de um helicóptero na escuridão, ao largo da costa sul da Inglaterra, segundo imagens divulgadas pelo Ministério da Defesa britânico.
O capitão do Smyrtos, de 38 anos, compareceu nesta terça-feira ao Tribunal de Magistrados de Southampton por videoconferência, a partir da delegacia de polícia de Bournemouth, para uma audiência preliminar.
Ele falou apenas para confirmar seu nome e data de nascimento, e para informar que seu endereço fica na Índia. O capitão não indicou como pretendia se declarar em relação às acusações, e seu advogado solicitou que o caso fosse encaminhado ao Tribunal da Coroa.
Pant teve sua prisão preventiva decretada, aguardando uma audiência para declaração de culpa e preparação do julgamento no Tribunal da Coroa de Bournemouth, marcada para 16 de julho.
O incidente com o Grigorovich reforça as tensões crescentes entre o Reino Unido e a Rússia no Canal da Mancha, em um contexto de operações cada vez mais frequentes de vigilância e interceptação de embarcações ligadas à frota russa.