Galípolo vê pressão de demanda na inflação

Gabriel Galípolo (Lula Marques/ Agência Brasil/Divulgação)
Presidente do BC aponta alta da renda, crédito e desemprego baixo como fatores que pressionam os preços no Brasil
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira que a autarquia identifica pressões de demanda nos indicadores de inflação do Brasil. Segundo ele, esse cenário é reflexo da alta na renda das famílias, do estímulo ao consumo por meio de concessões de crédito, de uma economia resiliente e de um desemprego em níveis baixos.
Em participação virtual no Fórum de Lisboa, Galípolo destacou que choques de oferta, como o provocado pela guerra no Irã, tendem a elevar os níveis de preços, ampliando a sensação de desconforto entre as famílias. No entanto, o dirigente ponderou que o Brasil se encontra em posição mais favorável do que outros países para enfrentar esse tipo de cenário.
"As pessoas estão menos focadas ou têm menos na cabeça qual é o IPCA, qual é o IGP, qual é o núcleo de inflação, mas sabem muito bem quanto está custando o leite, quanto está custando da carne", disse Galípolo, ilustrando como a população percebe a inflação no cotidiano.
Ao tratar dos efeitos dos choques de oferta nos preços, Galípolo explicou que o Banco Central analisa núcleos de inflação que expurgam esses impactos para ter uma leitura mais precisa do cenário. Como exemplo, ele citou o setor de serviços, cuja inflação está rodando em um "patamar bastante incompatível" com a meta estabelecida de 3%. "A gente enxerga essas pressões de demanda ali dentro dos indicadores de inflação", reforçou o presidente do BC, deixando claro que a autarquia monitora de perto esses movimentos.
Sobre o câmbio, Galípolo avaliou positivamente o cenário externo. Para ele, a combinação de uma curva de juros futuros bem-comportada nos Estados Unidos com um dólar desvalorizado "colabora bastante para a economia brasileira", representando um alívio no contexto inflacionário atual.