Galípolo diz que Copom não tem sinal dos próximos passos

Gabriel Galípolo (Lula Marques/ Agência Brasil/Divulgação)
Presidente do Banco Central afirma que dados dos próximos 40 dias vão guiar a decisão do Copom em agosto
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 25, que "não tem nenhum tipo de sinalização sobre os próximos passos" do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo ele, os dados dos próximos 40 dias serão determinantes para guiar a próxima decisão do comitê, prevista para agosto. A declaração foi feita durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), em Brasília.
Ao abordar o balanço de riscos do Copom, Galípolo esclareceu que a assimetria ou simetria do balanço é avaliada de forma qualitativa, sem relação direta com a contagem de riscos altistas ou baixistas. "Não há essa relação mecânica do balanço de riscos, de você fazer uma contagem ou dar uma nomenclatura, e disso tirar qualquer tipo de relação mecânica com a decisão", afirmou. "A gente não tem problema nenhum de dizer bem claramente que não há uma relação mecânica nessas duas coisas." Mais cedo, Galípolo havia explicado que o Copom optou por não classificar o balanço como assimétrico para cima no comunicado da última decisão, do dia 17, por considerar que tal classificação seria "óbvia", dado que havia quatro riscos para cima e apenas três para baixo.
Galípolo também negou qualquer possibilidade de influência das eleições nas decisões do Copom, argumentando que os efeitos de mudanças na taxa Selic só se fazem sentir no futuro. "Para qualquer um que está no mercado, não cola", declarou. "Se você entende como funcionam as defasagens da política monetária, não tem cabimento falar que qualquer decisão hoje possa ter qualquer efeito na economia com impacto na eleição." O presidente do Banco Central acrescentou que especulações desse tipo demonstram "desconhecimento" sobre o funcionamento da política monetária, que opera em horizontes mais longos. "Imaginar que uma decisão agora de corte, em especial de 25 pontos-base, com a taxa de juros restritiva do jeito que está...", completou.
Questionado sobre possíveis indicações para vagas na diretoria do Banco Central, Galípolo foi direto ao afirmar que a prerrogativa cabe ao chefe do Executivo. "A pergunta sobre indicação tem que ser feita ao presidente da República, o mandato é dele. A prerrogativa é do presidente de fazer as indicações, cabe a ele", comentou. Sobre a vacância na diretoria de Política Econômica e seus eventuais impactos nas decisões do Copom, Galípolo reconheceu a importância institucional de contar com nove diretores, mas destacou o trabalho do diretor Paulo Picchetti, de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, que acumula temporariamente a diretoria de Política Econômica. "Eu também dei uma sorte enorme de ser contemporâneo de diretores como o Paulo, que vale por milhares, vale por muitos. O Paulo está desempenhando uma função com maestria de acumular as duas diretorias", elogiou Galípolo. As declarações de Galípolo reforçam a postura do Banco Central de manter suas decisões ancoradas em dados econômicos, sem comprometimento antecipado sobre os rumos da política monetária nas próximas reuniões do Copom.