Financial Times diz que vídeo de Michelle é "mais um revés" para Flávio

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O "Financial Times" classificou os vídeos de Michelle como "mais um revés" para a campanha enfraquecida de Flávio Bolsonaro à presidência
O jornal econômico britânico "Financial Times" abordou, nesta quinta-feira, 25, o possível impacto dos vídeos divulgados por Michelle Bolsonaro (PL) na pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A publicação classificou o episódio como "mais um revés" para a campanha e afirmou que a discussão expõe uma relação conturbada entre a ex-primeira-dama e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O periódico lembrou que Flávio Bolsonaro já vinha enfrentando dificuldades após a divulgação de conversas nas quais pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira no Banco Master. O jornal destacou ainda que a sinalização de Michelle de que deve se manter afastada da campanha de Flávio ocorre a poucos meses da disputa eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "O episódio representa mais um revés para a campanha enfraquecida de Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai, líder populista da direita, como sucessor depois que Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado", afirma o "Financial Times". A crise "na principal dinastia política da direita brasileira", contextualiza o jornal, ocorre enquanto Bolsonaro, em prisão domiciliar por motivos de saúde, "tenta reconstruir o futuro político de sua família".
Nos vídeos divulgados na quarta-feira, 24, Michelle afirma que o rompimento com Flávio Bolsonaro começou durante as articulações eleitorais do PL no Ceará. Ela relembrou que criticou a aproximação do partido com Ciro Gomes (PSDB) para a disputa pelo governo estadual, defendendo o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) no primeiro turno.
Após fazer essas críticas em um evento no Ceará, Michelle relatou ter recebido uma ligação de Flávio Bolsonaro, que disse ser melhor que ela permanecesse fora das decisões do partido, já que havia "chegado ontem" e não entendia de política. "Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", declarou a ex-primeira-dama. Após a divulgação dos vídeos, Flávio Bolsonaro afirmou que "nunca" desrespeitou, maltratou e humilhou uma mulher na vida e "jamais o faria com a esposa do próprio pai."
O senador disse ainda que tentou convidar a ex-primeira-dama para participar de uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas que ela não atendeu à ligação nem respondeu à mensagem. Já Michelle afirmou que não tem raiva de ninguém e que "não há briga, nem competição". "Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno", declarou. O episódio reforça o cenário de tensão interna na direita brasileira às vésperas de um ciclo eleitoral decisivo.