Trump republica artigo que classifica eleição do Brasil como seu próximo desafio

Divulgação/Flávio Bolsonaro
Auxiliar de Lula alerta que Trump usará Flávio Bolsonaro para tentar interferir nas eleições brasileiras de outubro
Um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área internacional alertou que Donald Trump tentará interferir no processo eleitoral brasileiro, utilizando a figura de Flávio Bolsonaro como ponto de apoio. A declaração foi feita em meio a uma escalada de tensões entre os governos brasileiro e americano, que inclui ameaças tarifárias, classificação de facções criminosas como organizações terroristas internacionais e ataques ao sistema eleitoral do Brasil.
O cenário ganhou novos contornos quando Trump republicou, em sua própria rede social, um artigo que classificava a eleição brasileira como seu "próximo desafio" geopolítico. O Palácio do Planalto interpretou o gesto como um sinal claro das intenções do presidente americano. "Ele vai tentar interferir no processo eleitoral aqui. É só o começo", afirmou o auxiliar de Lula.
A mudança na postura de Trump em relação ao Brasil foi marcada pela visita de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca. Antes do encontro, o presidente americano havia elogiado a "química" com Lula. Depois da visita, o tom mudou radicalmente:
- O Comando Vermelho e o PCC foram classificados como organizações terroristas de alcance internacional, abrindo um flanco para eventual ação militar americana no território brasileiro.
- Trump fez ameaças de novo tarifaço relacionadas ao PIX, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.
- O presidente americano flertou abertamente com um ataque ao sistema eleitoral do Brasil, ao republicar o artigo que tratava o pleito nacional como alvo geopolítico.
- Trump chegou a inventar um "Bolsonaro Júnior" que teria sido preso por estar "bem nas pesquisas", afirmação falsa repetida ao mundo na saída do G7.
A reação do eleitorado brasileiro foi imediata e desfavorável a Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, um presidente americano passou a ser visto com ampla desconfiança pelos brasileiros.
Tentando conter a percepção de que os ataques americanos à soberania brasileira são resultado da atuação dos Bolsonaro, Flávio inscreveu-se numa audiência pública americana para debater a necessidade de punir o Brasil pelo PIX e por sua política de combate ao desmatamento. O senador, pré-candidato à Presidência, afirmou estar "fazendo sua parte para proteger o país" — o mesmo país que seu irmão Eduardo Bolsonaro critica publicamente no Texas, onde se autoexilou para fugir do Supremo Tribunal Federal. Flávio ainda cobrou Lula por não participar do encontro que debaterá o tarifaço.
O Planalto rebateu as críticas por meio de um de seus mais altos negociadores. "O governo já tem um canal direto com os americanos", disse a fonte à coluna. "Desde a ameaça de sobretaxa, foram duas reuniões bilaterais, com novas a serem realizadas até o dia 15 de julho, quando os Estados Unidos vão decidir se aplicam ou não novas sanções", explicou. O negociador foi além ao comentar a participação de Flávio Bolsonaro na audiência pública americana: "Audiência pública, como o Flávio sabe, ele é senador, é para trazer associações civis e entidades privadas para um debate. Governos falam com governos. Estados falam com Estados. Não é jogo para plateia. É questão grave, séria e de implicação para a economia nacional".