EUA e Irã firmam canal de comunicação para evitar crise no Estreito de Ormuz

EUA e Irã firmam acordo mediado por Catar e Paquistão para garantir navegação segura no Estreito de Ormuz por 60 dias
Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para estabelecer um canal de comunicação dedicado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.
A iniciativa foi anunciada neste domingo (22) por meio de uma declaração conjunta de Catar e Paquistão, que atuam como mediadores nas negociações entre as duas nações.
O mecanismo foi criado com o objetivo de prevenir incidentes e falhas de comunicação, assegurando a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz durante os próximos 60 dias, conforme estabelecido em um memorando de entendimento firmado entre as partes.
Pelo acordo, o Irã se compromete a empregar seus "melhores esforços" para garantir a circulação de navios comerciais entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, nos dois sentidos, sem a cobrança de taxas.
O documento também prevê a criação de uma célula de coordenação, com participação do Líbano e mediação de Catar e Paquistão, para monitorar o cumprimento do cessar das operações militares em território libanês.
Os mediadores confirmaram ainda que as negociações entre Washington e Teerã terão continuidade ao longo desta semana.
O Estreito de Ormuz como epicentro das tensões
Nas semanas anteriores ao acordo, o Estreito de Ormuz voltou a ocupar o centro das tensões regionais.
No sábado (20), o comando militar iraniano chegou a ameaçar o fechamento da passagem como resposta à continuidade dos ataques de Israel no Líbano e ao que Teerã considerou uma falha dos Estados Unidos em implementar um acordo para encerrar o conflito.
A situação se agravou após declarações do presidente norte-americano Donald Trump à emissora Fox News.
No domingo (21), Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam "assumir o controle" da estratégica via marítima, elevando o risco de um impasse nas negociações e aumentando a instabilidade na região.
Apesar das ameaças recentes, o novo canal de comunicação é visto pelos mediadores como uma tentativa concreta de reduzir as tensões e evitar incidentes em uma das regiões mais sensíveis para o comércio mundial.