Candidato de extrema-direita é eleito presidente da Colômbia

Foto: Wikimedia Commons
Apuração preliminar aponta vitória de Espriella sobre Cepeda por menos de 250 mil votos; Milei e ex-presidentes colombianos repercutem o resultado
A apuração preliminar do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia apontou a vitória de Abelardo de la Espriella neste domingo (21). O resultado favorável à direita gerou reações imediatas do presidente argentino Javier Milei e de ex-presidentes colombianos, repercutindo amplamente nas redes sociais e no cenário político latino-americano. Vale lembrar que, na eleição colombiana, a apuração ocorre em duas etapas. A primeira é o chamado "preconteo", uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação, usada para projetar o resultado. Porém, segundo a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o "escrutínio", processo em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências.
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a se manifestar, parabenizando Espriella pelo resultado preliminar. O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez também se pronunciou nas redes sociais sobre o desempenho do candidato direitista.
Segundo os dados divulgados pelas autoridades eleitorais colombianas, De la Espriella superou o senador Iván Cepeda por uma margem inferior a 250 mil votos. A última atualização registrou 12.944.441 votos para Espriella, candidato da direita com apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra 12.697.154 votos para o esquerdista Cepeda, aliado do atual presidente colombiano, Gustavo Petro.
A contagem definitiva estava prevista para esta segunda-feira (22). Nas redes sociais, Petro afirmou na noite de domingo que nenhum resultado deveria ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio. "Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir", escreveu Petro.
A eleição se tornou uma verdadeira "queda de braço" entre Gustavo Petro e Donald Trump. Cepeda era o candidato apoiado pelo presidente colombiano, enquanto o ultradireitista Espriella contou com apoio declarado do líder norte-americano. A vitória de Espriella representa uma guinada política no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
O resultado também reforçaria a onda de governos de direita na América Latina, já que Espriella pode se juntar a países como Chile, com Jorge Kast, e Bolívia, com Rodrigo Paz, que elegeram governos direitistas nos últimos anos. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) informou que a votação ocorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes, com a presença de observadores internacionais, incluindo representantes da OEA e da União Europeia.
Após polêmica no primeiro turno, Petro afirmou neste domingo, após votar, que respeitaria o resultado das eleições, embora tenha feito diversos pedidos para que a população vigiasse as atas eleitorais. Cepeda também declarou que respeitaria o veredito, mas anunciou que faria uma "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" da apuração. Ao fim da votação, Espriella publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que quer ser lembrado como "o reconstrutor da pátria".