El Niño avança e impacta o clima no Brasil

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El Niño ganha força no Pacífico e deve alterar chuvas e temperaturas no Brasil a partir de julho, com riscos de extremos climáticos.
A mais recente atualização das anomalias de temperatura no Oceano Pacífico equatorial aponta que o El Niño está ganhando força rapidamente, com saltos significativos de aquecimento nas áreas monitoradas. Segundo projeções meteorológicas, a resposta da atmosfera a esse aquecimento deve começar a ser sentida de forma consistente a partir de julho, alterando o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do Brasil.
Dados divulgados pela NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) revelam que o aquecimento das águas superficiais avançou de forma persistente. A região conhecida como Niño 3.4, fundamental para definir a circulação atmosférica global, registrou um aumento para +0,7°C. O dado mais preocupante, no entanto, vem da costa do Peru, na região Niño 1+2, onde a anomalia atingiu +2,1°C, o que caracteriza um evento de categoria muito forte naquela área. Esse aquecimento acelerado é impulsionado, em parte, pela Oscilação Madden-Julian (MJO), fenômeno que favorece o enfraquecimento dos ventos alísios e permite que as águas do Pacífico equatorial central e leste se aqueçam com maior facilidade.
Na prática, isso significa que o motor do El Niño já está acionado e em aceleração. **O que os dados mostram** As regiões monitoradas apresentam os seguintes registros de anomalia de temperatura: - A região Niño 3.4, localizada no Pacífico central, registra anomalia de +0,7°C, classificada como moderada, sendo a referência principal para definir a circulação atmosférica global. - A região Niño 1+2, próxima à costa do Peru, apresenta anomalia de +2,1°C, classificada como muito forte, sendo o dado mais expressivo do monitoramento atual.
Embora o aquecimento oceânico já seja uma realidade, o El Niño é considerado plenamente estabelecido quando a atmosfera passa a responder a essas mudanças. Modelos climáticos de referência indicam que essa virada no padrão deve ocorrer em julho, trazendo consequências distintas para cada região do país. No Rio Grande do Sul e nos demais estados da Região Sul, a tendência é de chuvas acima da média durante todo o segundo semestre, com risco elevado para eventos extremos de precipitação.
Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é oposto: o El Niño costuma inibir as chuvas, estabelecendo condições mais secas. Para o Sudeste, incluindo Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além do Centro-Oeste, os efeitos de seca e calor tendem a se intensificar a partir da primavera. As projeções indicam que, entre outubro e novembro, as temperaturas podem ficar até 4°C acima da média histórica em áreas com déficit hídrico, favorecendo ondas de calor e aumentando o risco de queimadas. Existe um debate técnico sobre o início oficial do fenômeno, em razão das diferentes metodologias de medição.
Pela metodologia tradicional, que observa as anomalias absolutas, o Pacífico já apresenta condições de El Niño desde meados de abril. Pela metodologia relativa, que desconta o aquecimento global de fundo dos oceanos, o marco deve ser alcançado em junho. Independentemente do critério adotado, a tendência de aquecimento é consistente. Especialistas alertam que, embora a intensidade do aquecimento no oceano seja um sinal relevante, o impacto real dependerá da interação com outros sistemas atmosféricos ao longo dos meses. O acompanhamento constante é essencial para mitigar riscos em setores como agricultura e gestão de recursos hídricos.