Eduardo Bolsonaro contesta condenação no STF

Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Ex-deputado afirma que não foi citado corretamente e que falhas processuais podem anular a condenação a mais de quatro anos de prisão
Após ser condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro divulgou uma nota pública contestando a decisão da Corte. No comunicado, o ex-parlamentar afirmou ter tomado conhecimento da condenação por meio da imprensa e sustentou que não foi formalmente citado conforme previsto pela legislação e por acordos internacionais.
Segundo Eduardo Bolsonaro, ele ainda aguarda eventual comunicação oficial por meio de carta rogatória, instrumento utilizado para atos processuais envolvendo pessoas que estão no exterior. Na nota, argumentou que a forma utilizada para sua citação comprometeria a validade do julgamento, e que eventuais falhas processuais poderiam resultar na nulidade da condenação. O ex-deputado reside nos Estados Unidos desde o ano passado e afirmou que seu endereço seria de conhecimento das autoridades brasileiras, o que, em sua avaliação, dispensaria medidas alternativas de notificação.
Durante a tramitação da ação penal, o ministro Alexandre de Moraes determinou a citação por edital após tentativas de comunicação não resultarem em resposta. De acordo com os autos, Eduardo Bolsonaro não constituiu defesa particular, não respondeu às notificações encaminhadas pela Justiça e tampouco compareceu ao interrogatório marcado no processo. Diante desse cenário, a Defensoria Pública da União (DPU) passou a atuar na defesa técnica do ex-parlamentar.
Na sessão desta terça-feira, a DPU argumentou que a citação deveria ter ocorrido por meio de carta rogatória e sustentou que nem todas as possibilidades de localização do réu no exterior teriam sido esgotadas antes da adoção da citação por edital. Os ministros da Primeira Turma, no entanto, rejeitaram os questionamentos preliminares e deram continuidade ao julgamento. A ação penal teve origem em denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusou Eduardo Bolsonaro de atuar junto a autoridades norte-americanas para pressionar integrantes de instituições brasileiras envolvidos em investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a acusação, a conduta caracterizou tentativa de interferência no andamento de processos judiciais em curso no Brasil. Com a condenação confirmada pela Primeira Turma do STF, a defesa de Eduardo Bolsonaro ainda poderá adotar as medidas processuais cabíveis dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.