
Ebola, imagem gerada por IA
O Instituto Adolfo Lutz informou nesta terça-feira que o primeiro exame realizado em um paciente internado em São Paulo com suspeita de ebola deu resultado negativo para a doença. O homem está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em isolamento, unidade de referência para atendimento de casos suspeitos ou confirmados. O teste não detectou material genético do vírus ebola na amostra coletada do paciente.
Antes da investigação para ebola, o homem já havia tido um quadro de meningite meningocócica confirmado, e os testes para a doença viral seguiram por uma questão protocolar, conforme as normas de segurança previstas. Mesmo com o resultado negativo, um segundo exame para identificar ebola será realizado no paciente. O procedimento é padrão e tem como objetivo certificar que o primeiro resultado não foi um falso negativo.
O paciente é um homem de 37 anos que esteve na República Democrática do Congo. Segundo o Governo de São Paulo, após uma viagem recente ao país, ele apresentou sintomas como febre, preenchendo a definição de caso suspeito. A investigação sobre ebola foi conduzida de forma preventiva, e os exames foram realizados conforme os protocolos nacionais e estaduais, de acordo com a Secretaria de Saúde. No estado de São Paulo, possíveis quadros devem ser comunicados imediatamente à vigilância epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica estadual.
Em 2014, autoridades também monitoraram três suspeitas de ebola, que posteriormente foram descartadas. Para a secretaria, o risco de introdução da doença no Brasil permanece muito baixo. "Entre os fatores considerados, estão a ausência histórica de transmissão autóctone no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul e a forma de transmissão da doença, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas sintomáticas infectadas", explicou. No cenário internacional, a OMS (Organização Mundial da Saúde) teme que o vírus continue a se espalhar pelo Congo. Grupos humanitários alertam que, sem uma intervenção mais incisiva, este poderá ser o surto de ebola mais letal da história.
O governo do Congo declarou o surto em 15 de maio, e a epidemia segue crescendo nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, no leste da RDC, com 1.077 casos suspeitos e 246 mortes suspeitas, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (África CDC). O organismo internacional de saúde busca prestar ajuda em campo o mais rapidamente possível, com envio de equipamentos e especialistas médicos. No entanto, os recursos da OMS são limitados, especialmente após a saída dos Estados Unidos da organização, que eram o maior contribuinte individual.
Essa falta de financiamento obrigou a OMS a reduzir e até cortar alguns programas. Os financiamentos prometidos também diminuíram, segundo o diretor-geral da África CDC, Jean Kaseya. Ele afirmou que parceiros do órgão, que haviam prometido quase US$ 500 milhões no início da semana para apoiar o combate ao surto, recuaram e reduziram a estimativa de envio para US$ 290 milhões.