Dólar abre estável em meio a juros e serviços

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Dólar inicia o dia cotado a R$ 5,17 enquanto dados de serviços e apostas em juros dominam o mercado financeiro
O Dólar abriu os negócios desta quinta-feira estável, cotado a R$ 5,17, em uma sessão marcada pela divulgação de indicadores do setor de serviços no Brasil. Os dados mostraram crescimento no setor, que preocupa o Banco Central por representar uma fonte de pressão inflacionária e um obstáculo ao corte dos juros. No mercado comercial para venda, a moeda americana iniciou os negócios cotada a R$ 5,173, o mesmo valor registrado no fechamento do dia anterior. Apesar da leve queda de 0,1% na véspera, o Dólar ainda acumula alta de 5,5% desde 12 de maio, quando iniciou o atual ciclo de valorização frente ao real.
O movimento foi desencadeado após reportagem do Intercept associar o senador e presidenciável da oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um pedido de dinheiro para financiar um filme sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro.
No cenário externo, crescem as apostas pela manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor de maio registrou o maior valor em três anos, reforçando as preocupações com a inflação americana. Analistas passaram a ver menor chance de o Fed (Federal Reserve), o Banco Central americano, voltar a cortar os juros na reunião prevista para a próxima semana. Na última reunião, o órgão manteve a taxa básica na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva. A taxa elevada nos Estados Unidos reduz o fluxo de capital para aplicações em outros mercados, como o brasileiro, impactando diretamente o real e a Bolsa de Valores do país. Nesse contexto, a manutenção dos juros também passou a dominar as apostas no Brasil.
O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne nos dias 16 e 17 de junho para definir a Selic, atualmente em 14,50% ao ano. A expectativa de redução de 0,25 ponto percentual, que era a aposta de 74% dos investidores nos contratos de Copom na B3, caiu para apenas 30%. Já o grupo dos que esperam a manutenção da Selic subiu para 70%, ante 24% anteriormente.
O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 1,2% em abril ante março, na série com ajuste sazonal, revertendo a queda de 1,1% registrada no mês anterior. Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o setor manteve avanço de 2,9% em 12 meses. Frente a abril de 2025, o crescimento foi de 1,9%, marcando o 25º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Os dados do setor de serviços devem ser utilizados pelo mercado para ajustar posições em juros. Menos dependente do crédito, o setor tem sido menos impactado pelos juros elevados, o que faz com que os reajustes de preços demorem mais para reagir ao aumento da taxa básica Selic pelo Banco Central.
O Ibovespa voltou a cair na véspera, após uma breve reação no dia anterior. Com o recuo, o principal índice de ações da B3 completou dez pregões de perdas nos últimos 13 realizados. A variação negativa de 15% desde 14 de abril reflete o menor fluxo de capital estrangeiro. Foi a partir dessa data que o fluxo externo para o Brasil mudou de direção. Os estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da B3 em maio de 2026, considerando apenas operações no mercado secundário — a maior saída mensal de recursos desde janeiro de 2022, segundo levantamento da Elos Ayta com base em dados da B3.
No cenário geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta da inflação acima de 4% e afirmou que os preços no país vão despencar assim que a guerra com o Irã acabar. A declaração adicionou aversão a risco nos mercados globais. Enquanto isso, o petróleo tipo Brent com vencimento em agosto acelerou a alta, sendo cotado às 9h a US$ 93,63, variação de 0,5%, representando mais uma fonte de pressão sobre o mercado de câmbio brasileiro. A troca de ataques aéreos entre Estados Unidos e Irã, combinada ao bloqueio total do Estreito de Hormuz — rota fundamental para o transporte de combustíveis —, amplia as incertezas sobre o fim do conflito e mantém os mercados em estado de alerta.