Dólar abre em alta influenciado pelos EUA

Dólar sobe a R$ 5,19 com expectativa sobre inflação americana e decisões de juros no Brasil e nos EUA
O Dólar abriu em alta nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,193, com variação de 0,29% em relação ao fechamento do dia anterior. A sessão foi marcada pela divulgação do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos, com agentes de mercado buscando pistas sobre a trajetória dos juros nos dois países, a uma semana das reuniões de política monetária dos bancos centrais americano e brasileiro. A moeda americana ronda a maior cotação desde 30 de março, acumulando alta de 5,5% desde 12 de maio, quando iniciou o atual ciclo de valorização ante o real.
O movimento teve início após reportagem do Intercept mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorrao, do Banco Master, para financiar um filme sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro. Os indicadores de emprego e de preços nos Estados Unidos mostraram inflação ainda acima da meta e mercado de trabalho resiliente. Nesse cenário, mais analistas passaram a ver menor chance de o Fed (Federal Reserve) voltar a cortar juros na reunião da semana que vem. Na última reunião, o órgão manteve a taxa básica na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva.
O índice americano de preços ao consumidor divulgado hoje influencia ajustes de posições nos mercados. A expectativa é de que a inflação registre um terceiro mês seguido de alta, aumentando a pressão sobre o orçamento das famílias. Alvaro Maia, economista na StoneX, avalia que "os mercados globais entraram em um regime de juros mais altos por mais tempo, com inflação nos Estados Unidos e tensões geopolíticas sustentando condições financeiras mais apertadas.
O CPI hoje deve reforçar a narrativa de Fed restritivo, pressionando ativos de risco e fortalecendo dólar e juros". Os juros elevados nos Estados Unidos influenciam diretamente o fluxo de recursos para o Brasil, favorecendo os rendimentos dos títulos do governo americano e reduzindo a competitividade das aplicações em outros mercados, como o brasileiro.
Com o temor de aumento da inflação por causa do petróleo e do próprio Dólar, crescem as apostas na manutenção dos juros no Brasil. O Banco Central reúne o Copom nos dias 16 e 17 de junho para definir a Selic, atualmente em 14,50% ao ano. A expectativa de redução de 0,25 ponto percentual pela terceira vez seguida deixou de ser predominante: era a aposta de 74% dos investidores que atuam nos contratos de Copom na Bolsa B3 e agora representa apenas 35%. Já o grupo dos que esperam manutenção da Selic subiu a 63%, ante 24% anteriormente.
A bolsa brasileira depende dos estrangeiros para recuperar o ciclo positivo, já que o capital externo responde por cerca de 60% dos negócios na B3. O Ibovespa subiu 0,7% na véspera, mas ainda acumula variação negativa de 15% desde 14 de abril, data em que o fluxo externo para o Brasil mudou de direção. Os estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da B3 em maio de 2026, considerando apenas operações no mercado secundário — a maior saída mensal desde janeiro de 2022, segundo levantamento da Elos Ayta com base em dados da B3.
Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta, explica que "a saída observada em maio reflete uma combinação de fatores externos e domésticos, como realização de lucros após a forte valorização dos ativos brasileiros nos primeiros meses do ano, migração parcial de recursos para mercados desenvolvidos ante da manutenção de juros elevados nos Estados Unidos e o aumento da cautela dos investidores globais em relação ao cenário fiscal brasileiro". No exterior, o petróleo também pressiona o mercado de câmbio brasileiro. O contrato futuro com vencimento em agosto para o barril do tipo Brent era cotado a US$ 92,91, com variação de 1,6%. Além disso, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques: aviões da Força Aérea e da Marinha americanas atingiram sistemas de defesa aérea iranianos, estações de controle terrestre e radares de vigilância, enquanto o governo iraniano respondeu com ataques contra alvos no Bahrein e no Kuwait, ampliando as tensões geopolíticas que pressionam os mercados globais.