Dívida bruta do governo chega a 81,1% do PIB

Esplanada dos Ministérios | Foto: Marcello Casal Jr. /Agência Brasil
Banco Central divulga boletim fiscal de maio com déficit primário de R$ 56,1 bilhões e dívida bruta em R$ 10,6 trilhões
O setor público consolidado do Brasil registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026, conforme divulgado pelo Boletim de Estatísticas Fiscais do Banco Central (BC) nesta terça-feira (30/6). O resultado é expressivamente superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 33,7 bilhões. A dívida bruta do governo geral (DBGG) atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 10,6 trilhões, representando um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Na última segunda-feira (29/6), o Tesouro Nacional já havia informado que as contas do governo central — Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — acumularam déficit primário de R$ 53 bilhões no mesmo mês. O governo central e os governos regionais apresentaram déficit de R$ 55,2 bilhões e R$ 1,2 bilhão, respectivamente. Em contrapartida, as empresas estatais registraram superávit de R$ 300 milhões no período.
No acumulado de doze meses, o setor público consolidado somou déficit de R$ 149,0 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB, valor 0,16 ponto percentual do PIB superior ao déficit acumulado até abril. A DBGG compreende o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os governos federal, estaduais e municipais. Vale destacar que a dívida bruta representa a soma de tudo o que o governo deve, enquanto a dívida líquida desconta desse total o que ele possui em reservas e aplicações financeiras. Conforme o boletim do BC, a evolução da dívida bruta no mês decorreu do efeito dos juros nominais apropriados, da emissão líquida de dívida, do efeito da valorização cambial e da variação do PIB nominal.
A dívida líquida do setor público (DLSP) também cresceu no período analisado. A DLSP atingiu 67,9% do PIB, equivalente a R$ 8,6 trilhões em maio, com acréscimo de 0,7 ponto do PIB no mês. Segundo o BC, esse resultado refletiu os impactos dos juros nominais apropriados, da valorização cambial, do déficit primário, dos demais ajustes da dívida externa líquida e do efeito da variação do PIB nominal. O cenário fiscal de maio reforça a trajetória de crescimento da dívida pública brasileira, com a dívida bruta consolidando-se acima dos 81% do PIB e a dívida líquida próxima a 68% do PIB, evidenciando os desafios das contas públicas no país.