Guia dado como morto é encontrado vivo seis dias depois no Everest

Socorristas e equipes de resgate carregam o alpinista Dawa Sherpa
Dado como morto, Dawa Sherpa foi encontrado rastejando em direção ao Acampamento Base seis dias após desaparecer no Everest
Socorristas e equipes de resgate transportaram o alpinista Dawa Sherpa ao Hospital HAMS em Katmandu no dia 4 de junho de 2026, após um desfecho que poucos esperavam: o guia nepalês de montanhismo, dado como morto no Monte Everest, foi encontrado rastejando em direção ao Acampamento Base seis dias depois de ter sido visto com vida pela última vez.
Dawa Sherpa havia sido avistado pela última vez acima do Acampamento 3, a aproximadamente 7,5 mil metros de altitude, enquanto descia a montanha após alcançar o cume. Nessa faixa de altitude, o ar é extremamente rarefeito, e as chances de sobrevivência eram consideradas mínimas.
Na quinta-feira (04), no entanto, uma equipe de limpeza o encontrou deslizando lentamente pela Cascata de Gelo do Khumbu em direção ao Acampamento Base. Ele apresentava congelamento nas mãos, mas aparentava estar em bom estado de saúde.
"Dawa conseguiu sobreviver por dias mesmo contra todas as probabilidades. É nada menos que um milagre", afirmou Pemba Sherpa, diretor executivo da 8K Expeditions, empresa responsável pela coordenação das buscas. "Este é um verdadeiro auto-resgate."
Dawa Sherpa, também conhecido como Hillary Dawa Sherpa — em referência ao célebre montanhista Edmund Hillary — foi resgatado por via aérea para um local seguro pela 8K Expeditions.
Segundo Pemba Sherpa, o caso é inédito: "Até onde eu sei, ninguém sobreviveu sozinho naquela altitude no Everest até agora. É um milagre ter sobrevivido por seis dias sozinho e descido em segurança. Acho que ele deve ter ficado dentro das tendas para se manter seguro."
Após ser levado ao Hospital HAMS, em Katmandu, Dawa Sherpa foi descrito como "acordado e recebendo tratamento" pelo médico Nishant Dhakal, da unidade de terapia intensiva.
Sua filha, Mhendo Lhamo Sherpa, visitou o pai e relatou à agência Reuters: "Ele me reconheceu… está bem e consegue falar. Estamos felizes."
Antes do resgate, a esposa do alpinista de 52 anos havia declarado à AFP que já realizava orações pela alma do marido.
Os últimos momentos antes do desaparecimento
Na quarta-feira anterior ao resgate, o alpinista e ex-fuzileiro naval da Marinha Real britânica Chris Thrall publicou uma homenagem a Dawa Sherpa no Instagram, acreditando que ele havia morrido na montanha.
Em vídeo, Thrall recordou que Dawa Sherpa havia "se sentado para descansar com a mochila" durante a descida do Acampamento 4, o acampamento mais alto antes do cume.
"E eu me virei e disse: 'Hillary, você está bem, irmão?' Ele disse: 'Sim, sim, estou bem, Chris, por favor vá, vá!'", relatou Thrall.
"Isso não é novidade, sabe, eu seguia na frente, ou ele seguia na frente."
Ao continuar a descida, Thrall encontrou um alpinista polonês em dificuldades que integrava o grupo, e os dois prosseguiram juntos. Dawa Sherpa, porém, nunca os alcançou.
"Foi uma longa tentativa de chegar ao cume. O que deveria levar cinco dias para subir ao cume e voltar nos levou 11 dias, de tão desafiadoras que estavam as condições", disse Thrall.
"Então, eu deveria voltar para buscar o Sherpa, que provavelmente vai aparecer e estar bem, como já aconteceu centenas de vezes antes?", acrescentou.
Um parente de Dawa Sherpa, Kung Sherpa, havia manifestado insatisfação com o andamento das buscas em entrevista ao site de esportes de aventura Outside.
As operações de resgate foram conduzidas integralmente pela 8K Expeditions, que finalmente conseguiu localizar e resgatar o alpinista.
A temporada no Everest deste ano foi a mais movimentada já registrada, com mais de mil pessoas alcançando o cume.
Cinco pessoas morreram nas escaladas desta temporada, sendo três delas nepaleses envolvidos nos trabalhos de preparação para as subidas, segundo a AFP.
O caso de Dawa Sherpa, contudo, se destaca como um dos mais extraordinários relatos de sobrevivência já documentados na montanha mais alta do mundo.