Empresário foi morto por amigos por seguro de vida, diz PCMG

Empresário de BH foi sequestrado e assassinado por trio de amigos que miravam R$ 40 mil em conta e seguro de vida de R$ 200 mil
Um empresário de 50 anos teve o sequestro e assassinato meticulosamente planejados por amigos próximos, motivados pela reserva financeira da vítima e pelo valor de um seguro de vida. A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) revelou os detalhes do crime que vitimou Cristiano Barbosa da Silva, encontrado sem vida no dia 15 de maio deste ano na estrada do Gaia, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cristiano Barbosa estava desaparecido desde o dia 20 de abril e foi localizado em avançado estado de decomposição, com sinais de asfixia.
Os resultados da investigação foram divulgados na segunda-feira (8/6), após a prisão do último dos três amigos envolvidos no crime, ocorrida no domingo (7/6). Um adolescente de 15 anos, também suspeito de participação, segue foragido.
Em coletiva de imprensa, o delegado Alexandre Oliveira da Fonseca, responsável pela investigação, explicou que os agentes perceberam desde o início que não se tratava de um desaparecimento voluntário. Segundo relatos de amigos que registraram o desaparecimento, Cristiano Barbosa era uma "pessoa do bem", com o hábito de falar abertamente sobre sua vida, inclusive para desconhecidos. Entre as pessoas que sabiam que o empresário guardava R$ 40 mil em uma conta estava "F", um amigo que estaria "com muita raiva" por suspeitar que Cristiano Barbosa se relacionava com sua ex-companheira.
Foi então que "F" planejou roubar a quantia do amigo para investir em uma barraca de alimentação próxima a uma universidade de Belo Horizonte. "Não foi possível comprovar a traição da vítima com a ex do amigo, mas temos que entender que, na visão do autor, a mera suspeita já bastava para o crime", disse Fonseca. Movido pela fúria da suposta traição e pela cobiça sobre os bens do empresário, "F" recrutou outras duas pessoas do bairro Jardim Alvorada, na região da Pampulha, para executar o latrocínio. O trio era formado por "F", por um homem identificado apenas como "H" e por um terceiro suspeito, apelidado de "E", descrito como "grande amigo" de Cristiano Barbosa, que o conhecia há mais de 20 anos e era considerado pelo empresário como uma figura paterna.
O delegado detalhou que, apesar de Cristiano Barbosa e "E" se ajudarem em negócios e investimentos, o suspeito também tinha motivação própria para querer a morte do amigo: ele sabia que Cristiano teria abusado sexualmente da enteada. Segundo Fonseca, embora a jovem tenha decidido não registrar queixa contra o padrasto, ela o extorquia com o apoio do empresário, que ainda teria divulgado o crime sexual para o círculo de amigos.
Ciente de que "F" também nutria raiva de Cristiano Barbosa, "E" propôs um acordo. Sabendo que o amigo possuía um seguro de vida no valor de R$ 200 mil e que ele próprio era o beneficiário, o homem que o empresário considerava como um "pai" concluiu que bastaria matá-lo e dividir o dinheiro. Foi a partir daí que, no dia 19 de abril, o assassinato começou a ser planejado.
Cristiano Barbosa era dono de uma hamburgueria que funcionava nos fundos de sua residência. De forma planejada e coordenada, os três criminosos se deslocaram até o local para iniciar o crime. A rua do estabelecimento era sem saída e tinha árvores que favoreciam a emboscada, permitindo que o trio agisse sem chamar atenção.
Por volta das 0h25 do dia 20 de abril, eles renderam a vítima, a amordaçaram e colocaram Cristiano Barbosa no porta-malas do veículo. Entre 0h35 e 0h40, os criminosos deixaram o bairro São João Batista e passaram a madrugada percorrendo vários locais da Região Metropolitana de Belo Horizonte com o homem sequestrado. "Eles foram no Parque Estadual da Serra do Rola Moça — onde pensamos que poderia ser o local da desova do corpo —, depois em uma área rural de Santa Luzia, depois em Esmeraldas e andaram até às 9h do dia 20/4 com Cristiano no porta-malas", disse o delegado.
A estratégia era ganhar tempo até que o dinheiro ficasse disponível para saque. Às três horas da manhã, o trio realizou a verificação facial de Cristiano Barbosa e roubou os R$ 40 mil, que ficaram liberados às 6h. Em seguida, "F" transferiu o valor para a própria conta. Por volta das 9h, os "amigos" decidiram matar a vítima na estrada do Gaia, em Sabará, rota habitualmente utilizada apenas por caminhões de mineradoras.
Durante as cerca de nove horas de sequestro, o trio chegou a levar também a filha do empresário, uma menina de 9 anos. Conforme a Polícia Civil, enquanto circulavam com Cristiano Barbosa no porta-malas, os suspeitos foram até a residência da vítima e, por volta das 3h, buscaram a criança, que estava dormindo. A menina foi devolvida à mãe na manhã seguinte, por volta das 11h do dia 20 de abril.
As investigações indicaram que a menina ouviu todo o sequestro do pai, chegando a ser agredida pelos homens e ameaçada de morte para não revelar o crime. Apesar de ter estranhado que a criança foi entregue por desconhecidos, a mãe não teria feito muitos questionamentos sobre o paradeiro de Cristiano Barbosa. Por medo das ameaças, a criança acabou contando à mãe que havia visto o pai vivo em uma UPA, alegando que ele estaria com "dor nos rins". "Mas, neste momento, nós já acreditávamos que Cristiano estivesse morto", detalhou o delegado Alexandre Oliveira da Fonseca.
Dois suspeitos confessaram parcialmente o crime, alegando que foram contratados para executar o delito. O investigado como autor do homicídio foi preso pela Polícia Civil na cidade de Anápolis, em Goiás, para onde havia fugido. A corporação monitorava o suspeito, que chegou a mencionar à companheira que viajaria para o Paraguai. A PCMG acionou as polícias de Goiás e do Distrito Federal para realizar a prisão. Com ele, foram apreendidos dois celulares, sendo um deles avaliado em R$ 6.200, quantia de origem do roubo.