As histórias que marcaram a Copa do Mundo além dos resultados

Jogadores da Argentina comemoram gol marcado por Lionel Messi na Copa do Mundo (Foto: Paul Ellis)
A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história não apenas pelo formato ou pelos grandes jogos, mas pelas narrativas humanas e folclóricas que só o futebol é capaz de produzir. Entre recordes quebrados por lendas vivas, zebras inacreditáveis e superações emocionantes, o torneio tem gerado histórias que vão muito além do placar.
Messi e Cristiano Ronaldo reescrevem os livros de recordes
Na vitória da Argentina sobre a Áustria por 2 a 1, Lionel Messi balançou as redes duas vezes e alcançou 18 gols em Copas do Mundo, ultrapassando o alemão Miroslav Klose, que tinha 16, e se isolando como o maior artilheiro da história da competição. O mundo assistiu à história sendo escrita ao vivo.
Se o livro de recordes parecia completo, Cristiano Ronaldo provou o contrário. Na partida contra o Uzbequistão, o craque português abriu o placar e se tornou o primeiro jogador na história do futebol a marcar gols em seis edições diferentes de Copa do Mundo, deixando para trás qualquer comparação possível com gerações anteriores.
Veteranos que desafiam o tempo
O icônico goleiro mexicano Guillermo Ochoa entrou no segundo tempo da vitória do México por 3 a 0 sobre a República Tcheca, no Estádio Azteca. Aos 40 anos, Ochoa disputou sua sexta Copa do Mundo, entrando para o seleto grupo dos atletas mais velhos a atuar em um Mundial.
Aos 40 anos, o goleiro Vozinha vive o auge da carreira. Ele parou a poderosa Espanha em um empate por 0 a 0 na estreia do Grupo H. O feito empurrou a estreante seleção de Cabo Verde para uma classificação inédita ao mata-mata, garantindo o segundo lugar do grupo sob o comando do técnico Bubista e deixando o Uruguai pelo caminho.
A camisa de Vozinha rapidamente se tornou um sucesso de vendas, reflexo do impacto que o goleiro causou no torneio.
As estreantes que surpreenderam
A modesta seleção de Curaçao levou 7 a 1 da Alemanha na estreia, mas o gol de honra foi o primeiro do país em Copas do Mundo. Logo depois, a seleção caribenha segurou um 0 a 0 com o Equador, conquistando o primeiro ponto de sua história no torneio.
Empurrado por sua torcida, o Canadá encerrou os fantasmas do passado. Primeiro, conquistou o pioneiro ponto em Copas ao empatar em 1 a 1 com a Bósnia. Na sequência, goleou o Catar por 6 a 0, conquistando a primeira vitória da história do país em Mundiais e se aproximando de uma vaga inédita nas oitavas de final.
A carta de Yan Diomandé para Roxanne
Fora de campo, a história mais emocionante pertence a Yan Diomandé, jovem craque de 19 anos da Costa do Marfim e destaque do RB Leipzig. Eleito o melhor em campo na vitória sobre o Equador, o atacante comoveu o mundo ao publicar uma carta aberta no "The Players' Tribune" dedicada à sua irmã caçula, Roxanne, que faleceu aos 15 anos em 2025, vítima de envenenamento em uma festa.
Na carta, Diomandé relembrou a infância pobre em Abidjã, as batatas que roubava com amigos por fome e o apoio incondicional da irmã, que era sua maior fã: "Escrevi isso porque quero que você saiba que vou garantir que você continue viva. Vou garantir que todos conheçam o seu nome. O mundo inteiro. Tudo que faço em um campo de futebol é por você."
O polêmico "Pride Match" e o pato do México
O duelo entre Egito e Irã, em Seattle, gerou uma enorme crise diplomática. Batizado previamente pela Fifa como "Pride Match" para celebrar o mês da diversidade LGBTQIA+, o jogo provocou revolta nas federações dos dois países muçulmanos, onde a homossexualidade é ilegal.
Com a confirmação da Fifa de que bandeiras do arco-íris seriam permitidas no estádio, o ministro do Esporte do Irã ordenou que a seleção abandone o campo imediatamente caso ocorram manifestações de apoio ao movimento nas arquibancadas.
Para fechar com a leveza que a Copa do Mundo exige, a torcida mexicana adotou um amuleto inusitado. O pato Merlín, que passeia pelas ruas e estádios vestido com a camisa oficial do México, virou febre nas redes sociais. A ave atingiu o status de celebridade e foi recebida oficialmente no palácio de governo pela presidente do país, Claudia Sheinbaum, tornando-se o personagem mais folclórico do torneio.