CNT aponta falha em 77% das estradas de MG

Foto: Governo Federal/Reprodução
Levantamento da CNT revela que 77,6% da malha rodoviária mineira tem baixa ou média capacidade de reduzir a gravidade de acidentes
Quem percorre as rodovias de Minas Gerais enfrenta um risco que vai além da atenção ao volante. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela que 77,6% da malha rodoviária mineira possui média ou baixa capacidade de mitigar as consequências de acidentes. Na prática, isso significa que, diante de uma falha humana ou mecânica, a própria infraestrutura da pista tende a agravar o sinistro, resultando em mais mortos ou feridos.
O diagnóstico integra a terceira edição do painel "Rodovias que Perdoam", da CNT. O conceito de "perdão" leva em consideração a presença de elementos de segurança passiva, como defensas e barreiras de contenção, acostamentos bem pavimentados e áreas livres de obstáculos nas margens das pistas. "Partimos da ideia de que erros humanos, falhas mecânicas e outros fatores de risco são inevitáveis.
Por isso, a infraestrutura viária precisa ser capaz de reduzir a gravidade quando um acidente ocorre. Os trechos com maior nível de perdão buscam reunir elementos de segurança, como defensas e barreiras, melhor geometria viária, boa sinalização e infraestrutura capaz de absorver ou minimizar erros. Já os trechos com baixo perdão tendem a apresentar carências nesses componentes", explica Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT.
Com a maior malha viária do Brasil, Minas Gerais teve 15.557 km de estradas monitorados pelo estudo. Desse total, apenas 22,3% (3.477 km) foram classificados com "alto índice de perdão". Outros 46,7% (7.269 km) registram "médio risco", enquanto 30,9% (4.811 km) são considerados de "baixo perdão" — o pior número absoluto em extensão do país.
Embora a região Sudeste concentre os melhores índices nacionais, impulsionada pelas concessões, o desempenho de Minas Gerais destoa dos estados vizinhos. Enquanto o estado tem pouco mais de 20% das estradas consideradas seguras, São Paulo lidera o indicador nacional, com 67,5% de sua malha no índice de "alto perdão". O Rio de Janeiro aparece logo atrás, com 52,2%, e até o Espírito Santo, com malha bem menor, supera Minas numericamente, com 23,7%. Nas rodovias de "baixo perdão", a desvantagem mineira fica ainda mais evidente.
O índice de estradas críticas de 30,9% é quase sete vezes maior do que o registrado em São Paulo (4,7%) e cinco vezes superior ao índice fluminense (6,3%). Para Matheus Fernandes, diretor-superintendente da Ecovias, concessionária responsável por trechos no estado, as concessões são fundamentais para as rodovias. "Qualquer inadimplência ou não cumprimento do contrato, a gente está sujeito a penalidades e medidas administrativas. Quando existe um contrato com obrigações claras e medidas previstas, caso não ocorra seu cumprimento, tudo flui de forma natural", argumenta.
Os dados do painel da CNT indicam que, ao comparar os números de 2024 e 2025, Minas Gerais apresentou ligeira melhora. O estado reduziu a extensão de trechos classificados com "baixo índice de perdão", que passaram de 5.007 km para 4.811 km, e ampliou a faixa de "médio risco", de 7.070 km para 7.269 km. No entanto, os trechos com "alto perdão" também recuaram, passando de 3.512 km, em 2024, para 3.412 km no ano passado.
"Minas continua concentrando uma parcela significativa de rodovias com menor capacidade de mitigar a gravidade dos acidentes, o que reforça a importância de investimentos contínuos em infraestrutura e segurança viária, sobretudo em corredores estratégicos para o transporte de cargas e passageiros", defende Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT.