Ciro Gomes aguarda carta de Bolsonaro para pacificar aliança no Ceará

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Documento escrito por Jair Bolsonaro pode pacificar aliança do PL com Ciro Gomes e resolver disputa pela vaga ao Senado no Ceará
Uma carta escrita de próprio punho pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando seu apoio a um candidato ao Senado pelo Ceará, é aguardada com grande expectativa tanto no PL cearense quanto na campanha de Ciro Gomes ao governo do estado. O documento pode ser decisivo para pacificar a aliança entre o partido e o ex-ministro, abalada por declarações públicas de Michelle Bolsonaro contra a união. A disputa gira em torno da vaga ao Senado pelo PL no Ceará. De um lado, Michelle Bolsonaro defende a candidatura da vereadora Priscila Costa, presidente local do PL Mulher.
Do outro, o deputado federal André Fernandes, presidente estadual do partido, quer indicar seu pai, o deputado estadual Pastor Alcides — que também conta com o apoio de Ciro Gomes — para a vaga. Uma carta de Jair Bolsonaro confirmando apoio a Alcides encerraria a disputa interna no PL e reduziria a tensão em torno da aliança com a campanha de Ciro Gomes. A expectativa é de que o documento seja divulgado antes de 10 de julho, data em que está marcado um evento de campanha de Flávio Bolsonaro em Fortaleza, com a presença — por ora confirmada — de Michelle Bolsonaro.
Ciro Gomes ouviu de André Fernandes que "está tudo preservado" na aliança para o governo do estado, apesar dos vídeos de Michelle criticando a união. Uma mudança nesse cenário só ocorreria mediante intervenção de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e ainda assim para lançar candidato próprio, não para apoiar o senador Eduardo Girão.
No PL do Ceará e entre apoiadores de Ciro Gomes, circula a versão de que o evento de lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do estado pelo Novo, em novembro de 2025, foi uma "arapuca". Segundo essa narrativa, Girão teria convidado Fernandes para o evento já sabendo que ele seria confrontado publicamente por Michelle — e por causa de boatos assim a ex-primeira-dama teria decidido gravar os vídeos.
A assessoria do senador, procurada, negou essa versão. Michelle, por sua vez, afirma que não agiu de caso pensado e que só criticou publicamente André Fernandes pela aliança com Ciro Gomes após ouvir gritos da plateia pedindo "Ciro, não". A orientação na campanha de Ciro é para que se mantenha o silêncio em torno do que se classifica como "briga familiar" entre madrasta e enteado — Michelle reclama ter sido maltratada por Flávio Bolsonaro. Nesta quinta-feira, Ciro Gomes afirmou em entrevista coletiva, durante ato de campanha, que não viu os vídeos de Michelle e nem pretende vê-los.
A reportagem apurou ainda que, segundo Michelle, Jair Bolsonaro sabia que ela postaria vídeos criticando a aliança com Ciro Gomes e reclamando do comportamento de Flávio, por quem diz ter sido maltratada e humilhada. Para o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo de Mello Araújo, do PL e amigo pessoal de Bolsonaro, "saber é uma coisa, aprovar é outra". "Imagino que o presidente, com a experiência política que tem, tenha desaconselhado o vídeo", disse, com a ressalva de que não fala com o ex-presidente desde o ano passado.
O cenário político no Ceará permanece em compasso de espera. A carta de Bolsonaro, se confirmada antes do evento de 10 de julho, pode definir os rumos da aliança entre o PL e Ciro Gomes e encerrar a disputa interna que expôs tensões entre diferentes alas do partido.