China diz que argumento de trabalho forçado é "manipulação política"

Porta-voz do governo chinês rejeita alegações americanas e critica proposta de novas tarifas sobre produtos de 60 economias
A China negou, nesta quarta-feira (3), as acusações de trabalho forçado feitas pelos Estados Unidos e criticou a proposta americana de aplicar tarifas adicionais sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo o território chinês. Durante coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que o governo rejeita o uso dessas alegações como justificativa para medidas comerciais.
"Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política", declarou a porta-voz. A declaração ocorre em resposta à proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor novas tarifas sobre produtos de 60 economias.
De acordo com o órgão, os países investigados não adotam medidas eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas sob condições de trabalho forçado. A proposta prevê tarifas adicionais sobre todos os produtos das economias analisadas.
Países que já possuem mecanismos para restringir a entrada desses bens, ou que assumiram compromissos para reforçar a fiscalização, poderão ser enquadrados em uma sobretaxa de 10%. As demais economias, grupo que inclui Brasil, China, Argentina, Japão, Reino Unido e Rússia, poderão ser alvo de uma tarifa adicional de 12,5%, conforme sugerido pelo USTR. O governo chinês também reiterou sua oposição a medidas tarifárias unilaterais e defendeu que disputas comerciais sejam resolvidas por meio do diálogo e das regras multilaterais.