Caiado cobra explicação de Flavio sobre relação com Vorcaro

© Valter Camargo/Agência Brasil
Pré-candidato do PSD diz que Flávio Bolsonaro precisa explicar ao Brasil seu vínculo com o banqueiro preso Daniel Vorcaro
O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) precisa explicar "aos seus eleitores, ao seu partido e ao Brasil" sua ligação com Daniel Vorcaro, banqueiro preso sob acusação de fraude bilionária envolvendo o Banco Master. Em entrevista à revista Veja, o ex-governador de Goiás defendeu que cada candidato deve prestar contas à população sobre os "incidentes" que surgirem ao longo da disputa eleitoral.
Na mesma entrevista, Caiado também mencionou que o pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, teria igualmente de explicar a possível ligação de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o escândalo de descontos no INSS. "O que vier contra cada pessoa, cada um tem que se explicar", destacou. "Isso é uma competição, ninguém está se colocando contra A ou contra B, estamos dentro de um vestibular. A eleição não deixa de ser um vestibular".
Caiado voltou a defender que os eleitores priorizem candidatos com "autoridade moral" nas urnas, reforçando um discurso que já vinha adotando desde maio. "0O eleitor vai poder neste momento eleger aquele que tem as melhores credenciais", disse. "Nós vamos eleger o que tem os pontos positivos para poder governar o Brasil e tem autoridade moral para governar o Brasil, para sentar àquela cadeira. Os defeitos ou as falhas cometidas, seja de caráter ou de comportamento moral, a sociedade saberá excluí-los".
Em maio, Caiado já havia cobrado Flávio Bolsonaro a "prestar contas" para a população e, sem citar o senador diretamente, afirmou que uma pessoa "contaminada" por Daniel Vorcaro não poderia ocupar a Presidência da República. A declaração foi feita durante a Marcha dos Prefeitos, no dia seguinte à confirmação de Flávio de que havia visitado o banqueiro em sua residência no ano anterior, após a primeira prisão de Vorcaro.
"A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República. O Vorcaro estava contaminando todos os Poderes, e nós estamos vivendo nessa desordem institucional. Você não sabe em quem acreditar, porque hoje tanto o Supremo quanto os órgãos do Congresso Nacional, como também a presidência e outros tantos estão envolvidos em escândalo", disse, na ocasião, antes de negar que a declaração havia sido uma "indireta" para Flávio.
No campo das negociações judiciais, Vorcaro trata com as autoridades brasileiras um acordo de colaboração premiada. A primeira proposta foi rejeitada por policiais e procuradores. Fontes ouvidas pelo GLOBO indicam que os policiais envolvidos na apuração do caso Master avaliam que a segunda proposta não apresenta fatos novos e ainda decidirão se interrompem ou continuam as negociações.
Segundo interlocutores, Vorcaro buscou justificar os pagamentos e o relacionamento próximo com políticos, sem admitir crimes — o que contraria a lógica de um acordo de colaboração, no qual o investigado entrega novos elementos de prova em troca de benefícios penais. Além disso, ele teria omitido fatos já conhecidos pela Polícia Federal, como uma suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega irregularidades, e as conversas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL).
Na entrevista à Veja, Caiado também alertou para o que chamou de "mexicanização" da segurança pública no Brasil, afirmando que o narcotráfico "invade" a economia formal do país. A comparação traça um paralelo com o México, onde cartéis de tráfico de drogas dominam rotas, influenciam autoridades por meio de corrupção, financiam candidatos e promovem atentados contra opositores. Caiado defendeu ainda a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — medida já adotada pelo governo de Donald Trump em maio, após pedido do próprio Flávio Bolsonaro.