Moraes dá 24h para defesa de Bolsonaro explicar arma apreendida

Bolsonaro agência Senado
Moraes deu prazo à defesa de Bolsonaro para esclarecer apreensão de pistola atribuída ao ex-presidente durante blitz no DF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste sobre a apreensão de uma pistola atribuída a ele durante uma blitz de bafômetro realizada na noite desta segunda-feira no Distrito Federal. Os advogados de Bolsonaro terão de esclarecer por que o ex-chefe do Executivo mantinha uma arma em casa e por que, às vésperas do encerramento do prazo de sua prisão domiciliar, solicitou que o armamento fosse encaminhado para reparo.
A arma foi encontrada com um sargento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, que afirmou trabalhar com Bolsonaro. À Polícia Civil do Distrito Federal, o militar declarou que a pistola pertencia ao ex-presidente e que lhe foi entregue em razão de uma "pane que aparentava ser de fácil solução". Segundo a versão do sargento, ele retirou a arma na véspera para realizar o reparo do percussor e que o armamento seria devolvido nesta terça-feira. Além da defesa de Bolsonaro, Moraes também cobrou explicações do tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal e responsável pelas medidas de segurança da prisão domiciliar do ex-presidente.
O militar deverá informar se está sendo cumprida integralmente a ordem judicial de revista nos veículos que saem da residência de Bolsonaro, inclusive nos carros oficiais responsáveis pela segurança dele. Também terá de esclarecer se os celulares dos agentes do GSI permanecem fora da casa do ex-presidente, conforme determinado.
A declaração prestada pelo sargento do GSI apresenta contradições em relação ao relato do agente que realizou a abordagem. O policial responsável pela fiscalização afirmou que, ao notar a presença da arma no assoalho do veículo da Presidência da República conduzido pelo militar, o sargento "de forma repentina, fechou o vidro do veículo". Foi nesse momento que a arma foi recolhida, conforme registrado no boletim de ocorrência. Durante a abordagem, o policial questionou o sargento sobre o registro da arma encontrada. O integrante do GSI afirmou inicialmente que o armamento constava em sua funcional.
Somente após o agente confirmar que não havia registro da pistola em seu nome, o sargento declarou que ela pertencia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e que ficava dentro do veículo. Também foi encontrado no carro um carregador sobressalente da arma. O militar foi então conduzido à delegacia para o registro do caso, tendo sido abordado por volta das 22h30, em Taguatinga. Conforme o boletim de ocorrência, a arma foi apreendida pela ausência da documentação necessária para o porte. O sargento do GSI não portava o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), o que é irregular e implica na obrigatoriedade de recolhimento da pistola. A decisão de Moraes foi assinada após a Polícia Civil do Distrito Federal informar o gabinete do ministro sobre a ocorrência.