Banco Mundial corta previsão do PIB do Brasil

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Instituição reduziu projeções de crescimento do Brasil para 2026 e 2027, citando impactos da guerra no Oriente Médio
O Banco Mundial reduziu as previsões de crescimento da economia brasileira para 2026 e 2027. Em relatório sobre perspectivas econômicas globais, divulgado nesta quinta-feira (11/6), a instituição projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá 1,9% em 2026, abaixo dos 2% previstos no relatório de janeiro. Para 2027, a projeção também foi revisada para baixo, de 2,3% para 2%, enquanto para 2028 a expectativa é de avanço de 2,2%. Os impactos da guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Irã, nas economias mundiais são apontados como principal causa da retração.
Na média global, o Banco Mundial cortou a previsão de crescimento do PIB para 2026 de 2,6% para 2,5%. O PIB dos EUA, diretamente envolvido no conflito, manteve-se estagnado em 2,2% nas duas versões do relatório. O Banco Mundial destaca que o crescimento global em 2026 atingirá o nível mais baixo desde a COVID-19. "Nosso relatório mais recente sobre Perspectivas Econômicas Globais constata que, com o conflito no Oriente Médio impulsionando aumentos acentuados nos preços da energia, o crescimento global deverá desacelerar para 2,5% em 2026, com as economias de mercado emergentes e em desenvolvimento enfrentando o menor crescimento da renda per capita desde a pandemia.
Os riscos permanecem inclinados para o lado negativo e incluem a escalada das hostilidades, novas interrupções no mercado de commodities e tensões geopolíticas adicionais, enquanto a adoção mais ampla da IA oferece algum potencial de crescimento", analisa a instituição. Sobre as medidas necessárias para enfrentar o cenário, o Banco Mundial é enfático: "A ação política é crucial: globalmente, para salvaguardar a segurança energética e alimentar e impulsionar a transição energética; e, internamente, para controlar a inflação, fortalecer a sustentabilidade fiscal e apoiar a criação de empregos.
O aumento da dívida está elevando os custos de empréstimo das economias emergentes, particularmente para as mais endividadas, ressaltando a necessidade de uma mobilização de receita mais robusta e uma melhor gestão da dívida. Para os exportadores de commodities, a construção de resiliência fiscal também exigirá estruturas institucionais sólidas e diversificação de receitas". O relatório reforça que o Brasil segue crescendo abaixo da média mundial. Para 2026, a projeção brasileira é de 1,9%, frente a 2,5% da média global. Em 2027, a diferença se mantém: 2% para o Brasil contra 2,8% projetados para o mundo. O histórico recente confirma esse padrão: entre 2010 e 2025, o PIB brasileiro cresceu em média 1,74% ao ano, enquanto a média mundial foi de 2,93%. Em 2025, o PIB do Brasil avançou 2,3%, novamente abaixo do crescimento mundial, que foi de 2,6%.