Diálogo entre Alcolumbre e Lula ainda não avança

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente do Senado evita declarações, mas sinaliza abertura ao diálogo com Lula antes da viagem ao G7
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adota uma postura discreta na retomada do diálogo com o presidente Lula, estratégia que aliados descrevem como "jogar parado". Enquanto as atenções se voltam para a abertura da Copa do Mundo, a tensão política entre os dois líderes segue sem resolução desde março, quando a relação se rompeu definitivamente após a reprovação do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Nas conversas com ministros e líderes do governo, Alcolumbre tem evitado dar declarações e adotado um estilo misterioso, sem querer ser interpretado pelo Planalto.
Ao receber os apelos do ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, sobre a importância de avançar com pautas paradas no Senado, Alcolumbre apenas sorri, sem se comprometer. A insistência pública de Lula em reenviar o nome de Messias ao Senado não agrada ao presidente da Casa. Ainda assim, a aliados, Alcolumbre afirma que também "é um cara do diálogo", reconhece a relação institucional entre os cargos e admite que debates relevantes — como o fim da escala 6x1 — não avançam pela ausência de conversa entre os dois. "Para as coisas avançarem, é muito complicado não ter diálogo do presidente com presidente do Senado", afirmou um interlocutor próximo ao tema.
Esse posicionamento é lido no Congresso como um sinal de que Alcolumbre está disposto a se reunir novamente com Lula. O encontro pode ocorrer antes mesmo da viagem do presidente ao G7, prevista para a semana que vem. **Pauta-bomba no plenário** Enquanto o tête-à-tête entre os dois não acontece, o plenário do Senado — com apoio de setores da própria base governista — aprovou um projeto de renegociação de dívidas de grandes produtores rurais. A medida é classificada como pauta-bomba pela equipe econômica, que estima um impacto fiscal de R$ 817 bilhões para a União nos próximos 13 anos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi pessoalmente com Guimarães a uma reunião com Alcolumbre e sinalizou que trabalhará para barrar o avanço dessas pautas, independentemente do impacto eleitoral positivo que possam gerar. "Apontei a preocupação com vários projetos e PECs [propostas de emenda à Constituição] que foram apresentados por senadores e deputados, da base do governo inclusive, e que muitas vezes acabam confundindo o momento político eleitoral, em que se quer dar respostas a setores. Mas a gente não pode perder de vista a responsabilidade fiscal com o país, com a economia como um todo", declarou Durigan a jornalistas após a reunião com Alcolumbre. O cenário reforça a complexidade do momento político: de um lado, a pressão por avanços legislativos; do outro, a cautela fiscal do governo e o impasse no diálogo entre os dois presidentes.