Alcolumbre e Lula podem se reaproximar com PEC 6x1

Foto: Ricardo Stuckert / PR
A PEC do fim da escala 6x1 pode ser o ponto de virada na relação entre Lula e Alcolumbre, abalada após a derrota de Messias no STF
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 pode representar muito mais do que a aprovação de uma pauta prioritária para o governo federal. Para aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a medida também pode ser o ponto de partida para uma reaproximação entre o presidente da República e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), a poucos meses das eleições municipais. A relação entre os dois praticamente esfriou após o Senado rejeitar o nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril.
Alcolumbre é apontado como um dos principais responsáveis pela derrota histórica do governo: Messias obteve apenas 34 dos 42 votos necessários para ser aprovado. O senador amapaense preferia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas Lula optou pelo advogado-geral da União em novembro de 2025 e fez o anúncio publicamente antes mesmo de comunicar Alcolumbre. O domínio do senador sobre a situação ficou evidente em um áudio vazado momentos antes do resultado da votação ser anunciado. Na gravação, ele demonstrava já conhecer o desfecho: "acho que vai perder por oito", disse, fora do microfone, ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A cena aprofundou o desconforto dos governistas em relação ao presidente da Casa. Desde então, Lula e Alcolumbre chegaram a se encontrar na cerimônia de posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques. Apesar de terem se sentado lado a lado, apenas se cumprimentaram e trocaram poucas palavras, evidenciando o distanciamento entre os dois.
Aprovada em 27 de abril pela Câmara dos Deputados com placar expressivo — 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo —, a PEC do fim da escala 6x1 pode ser um trunfo na reaproximação entre os presidentes, dado o forte apelo social que a pauta conquistou junto à população. Alcolumbre, no entanto, já sinalizou que não tratará a proposta com a mesma urgência que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e que o Senado não será um mero "carimbador". A PEC deverá passar por pelo menos uma comissão antes de ir ao plenário.
A análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é considerada certa, e já foi sugerida até mesmo a criação de uma comissão especial, o que não é praxe na Casa. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, responsável pela articulação política do governo, afirma que Alcolumbre "quer recompor" a relação com Lula após o quase rompimento do último mês. Para isso, aliados avaliam que será o próprio presidente da República quem deverá dar o primeiro passo e agir para "reconquistar" o senador, tendo em vista inclusive uma possível nova indicação de Jorge Messias ao STF.