Alcolumbre confirma semana sem votações no Senado

Foto: Moreira Mariz/Agência Senado
Assessoria de Alcolumbre informa que o Senado não terá sessões deliberativas nesta semana, assim como a Câmara dos Deputados
A assessoria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), confirmou nesta terça-feira, 23, que não haverá sessões deliberativas no plenário da Casa nesta semana. O Senado terá apenas sessões sem votação, seguindo o mesmo caminho da Câmara dos Deputados, em um período do ano em que os parlamentares tradicionalmente retornam às suas bases para as festividades de São João.
Na semana anterior, Alcolumbre havia sinalizado que poderia pautar a PEC que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. A declaração, no entanto, foi recebida com ceticismo pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que afirmou que "semana que vem é muito tempo". A semana também marca um mês desde a aprovação da PEC do fim da escala 6x1 na Câmara. O indicativo dos senadores é de que a proposta permanecerá parada.
Até o momento, a PEC sequer foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A única decisão oficial da Casa até agora foi agendar uma sessão de debate temático para o dia 1º de julho, às 10h, no plenário, com o objetivo de "discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos" do fim da escala 6x1. Vale lembrar que em 17 de julho o Congresso entrará em recesso legislativo, suspendendo as votações até as eleições de outubro. Outro fator que atravessa as negociações no Senado é a operação da Polícia Federal contra o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), investigado por suposto vínculo com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A situação gerou incerteza sobre a permanência do petista no cargo, considerado fundamental para as articulações do governo no Senado. A PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões, por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Em nota, Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira durante seu mandato parlamentar. Sobre o imóvel citado pela PF, o senador declarou que ele não integra o seu patrimônio.
No pano de fundo das tensões institucionais, há expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retome o contato com Alcolumbre nos próximos dias. O diálogo entre os dois está travado desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), criando um clima de distanciamento entre o Executivo e a presidência da Casa.