Prefeitura de BH destrói ciclovia da Avenida Afonso Pena

Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/Reprodução
Prefeitura de BH destrói ciclovia da Avenida Afonso Pena alegando impactos no trânsito não previstos e riscos a ambulâncias
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), anunciou o desmanche da ciclovia da Avenida Afonso Pena, no centro da capital mineira. Em vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (13/6), ele classificou a medida como "um dos dias mais esperados por boa parte da população" e afirmou que a estrutura foi desmobilizada após autorização da Justiça. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) justificou, por meio de nota, que a decisão de retirar a ciclovia da Afonso Pena foi baseada em estudos técnicos realizados desde o início da disputa judicial envolvendo a obra.
Segundo o município, uma reavaliação apontou que os impactos da estrutura sobre o trânsito da região não foram plenamente previstos nos estudos originais. "Ao longo da via circulam diariamente mais de 40 linhas do transporte coletivo, que fazem mais de 3,6 mil viagens e transportam mais de 150 mil passageiros por dia. Além disso, circulam pela avenida diariamente cerca de 21 mil veículos", disse a PBH em nota.
Outro ponto levado em consideração pela prefeitura foi a proximidade da Afonso Pena a equipamentos de saúde de alta complexidade, como o Hospital João XXIII, situado a poucos metros do corredor. De acordo com a nota, qualquer redução da capacidade viária representaria um risco potencial ao tempo de resposta de ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros.
Em abril de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça a suspensão das obras, argumentando que o projeto não tinha o licenciamento necessário e que a estrutura seria incompatível com as características da avenida. Naquele mesmo mês, a Justiça rejeitou o pedido em decisão liminar, mas a Prefeitura de Belo Horizonte optou por interromper os trabalhos mesmo assim. A ciclovia da Avenida Afonso Pena integrava o projeto de revitalização da via, com investimento total de R$ 24,8 milhões da PBH.
A estrutura ligava a Praça Rio Branco (Rodoviária) à Praça da Bandeira, em um trecho de 4,2 quilômetros. A decisão gerou críticas de ciclistas e entidades ligadas à mobilidade urbana. Em vídeo publicado pela organização Minha BH, uma ciclista afirmou: "Enquanto você tava torcendo pelo Brasil, olha o que que o prefeito de BH fez", sugerindo que a medida foi tomada em um momento em que parte da população estava com a atenção voltada para a partida da Seleção Brasileira.
Ela ainda defendeu a importância da estrutura: "Ciclovia é segurança das vidas das pessoas no trânsito, e o trânsito de Belo Horizonte é um dos piores do Brasil. E você sabe disso, porque você, prefeito, tem obrigação de saber". O desmanche da ciclovia da Afonso Pena encerra um ciclo de disputas que envolveu o Ministério Público, a Justiça e a própria prefeitura, deixando em aberto questões sobre os custos da obra e as alternativas para a mobilidade de ciclistas na capital mineira.