"Abin Paralela" completa um ano sem avanço na PGR

Sede da CGU | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Inquérito com 36 indiciados, incluindo Ramagem e Carlos Bolsonaro, segue sem manifestação da Procuradoria-Geral da República
Um ano após a Polícia Federal (PF) concluir as investigações sobre o caso da "Abin Paralela", o inquérito enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) segue sem avanços. O relatório, apresentado pela PF em 15 de junho, apontou que integrantes do governo Bolsonaro utilizaram ferramentas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitoramento clandestino de autoridades e adversários políticos.
A investigação resultou no indiciamento de 36 pessoas, entre elas o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Ramagem foi posteriormente condenado no julgamento da trama golpista e fugiu para os Estados Unidos, onde permanece até hoje. A PGR, procurada, não se manifestou sobre o caso. O caso veio à tona após o GLOBO revelar, em março de 2023, a compra e o uso de um sistema chamado FirstMile.
A ferramenta explorava uma brecha na rede de telefonia celular para rastrear a localização de alvos pré-determinados em todo o país. A partir dessa revelação, a estrutura passou a ser investigada e ficou conhecida como "Abin Paralela". Segundo as investigações, a "Abin Paralela" teria sido montada pelo então diretor-geral do órgão, Alexandre Ramagem, e utilizada para produzir dossiês e disseminar notícias falsas de acordo com os interesses políticos do então presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente não foi incluído na lista final de indiciados porque já respondia pelo crime de organização criminosa no processo da trama golpista. Tanto Ramagem quanto o ex-presidente negaram, em ocasiões anteriores, a existência de uma estrutura paralela na agência.
Entre os alvos do monitoramento irregular estavam o presidente do Supremo Tribunal Federal à época, Luís Roberto Barroso, e os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Dias Toffoli. O sistema de espionagem também teria obtido informações de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Maia, ex-presidentes da Câmara dos Deputados. A lista de indiciados também alcançou a atual cúpula da agência. De acordo com as investigações, a atual direção teria dificultado o acesso a dados relevantes sobre o monitoramento. A direção da Abin, por sua vez, sempre negou irregularidades e afirmou estar à disposição das autoridades. Com o inquérito parado na PGR e sem previsão de manifestação, o caso completa um ano sem definição sobre os próximos passos judiciais.